Telas mantêm notificações surgindo depois que a luz do quarto se apaga, enquanto vídeos seguem em sequência e o feed não para de atualizar.
Para muitos adolescentes, essa rotina noturna reduz as horas de sono e dificulta o momento de desligar o cérebro para descansar.
Telas mantêm cérebro dos adolescentes em alerta
Perto da hora de dormir, a exposição à luz atrasa a liberação de melatonina e desregula o ritmo circadiano do corpo.
Mas o problema não se limita à chamada luz azul emitida pelas telas dos aparelhos eletrônicos.
Jogos, mensagens e vídeos curtos mantêm o cérebro em estado de alerta justamente quando ele deveria desacelerar.
Deixar o celular por perto na cama cria a expectativa de receber uma nova mensagem, o que interrompe o sono mesmo depois que o Adolescente já pegou no sono.
As redes sociais reforçam essa sensação de que é preciso ficar conectado para não perder uma conversa ou publicação recente.
Essa dinâmica se encaixa numa característica própria da adolescência: o corpo tende naturalmente a dormir e acordar mais tarde nessa fase da vida.
Como a escola geralmente exige despertar cedo, o uso do celular à noite pode empurrar o jovem para uma privação crônica de sono, segundo especialistas.
Sonolência, irritabilidade e queda no desempenho escolar aparecem como sinais de que a noite anterior não rendeu descanso suficiente.
Dificuldade para acordar e cumprir os primeiros compromissos do dia também surge como consequência direta dessa privação.
A concentração para estudar sofre um efeito parecido, já que o sono tem papel direto na memória e na fixação de conteúdos aprendidos.
Alternar constantemente entre mensagens, vídeos e redes sociais enquanto tenta estudar fragmenta ainda mais a atenção do Adolescente.
Multitarefa é ilusão, alerta o neurologista
Especialistas chamam atenção para essa alternância rápida entre tarefas como um dos pontos mais prejudiciais ao aprendizado Adolescente.
Isso porque o cérebro não realiza várias tarefas complexas ao mesmo tempo com facilidade, e quando isso é necessário, o órgão está apenas alternando a atenção entre essas necessidades.
O horário de início das aulas também entra nessa equação, como mostrou uma pesquisa feita em duas escolas públicas dos Estados Unidos.
Ao adiar o começo das aulas de 7h50 para 8h45, os alunos dormiram, em média, 34 minutos mais por noite.
A pesquisa, publicada na revista Science Advances, também registrou aumento de 4,5% nas notas dos estudantes após a mudança de horário.
Em uma das escolas avaliadas, frequência e pontualidade dos alunos também melhoraram com o novo horário de entrada.
Assim, o horário de dormir e de acordar, somados ao tempo de tela, ajudam a explicar por que tantos adolescentes chegam cansados à sala de aula.








