Entre 2022 e 2025, montadoras chinesas assumiram fábricas brasileiras deixadas por marcas tradicionais e aceleraram a produção de veículos eletrificados no país.
Segundo a Anfavea, a produção nacional de veículos cresceu de 2,36 milhões em 2022 para 2,64 milhões em 2025. No primeiro semestre de 2026, foram produzidas 1,37 milhão de unidades.
A GWM produz o Haval H6 na antiga fábrica Mercedes em Iracemápolis, e a BYD ocupa o complexo Ford em Camaçari.
A britânica MG Motor, por sua vez, assumiu a unidade da Ford em Horizonte (CE).
Por que reutilizar fábricas existentes?
Construir uma fábrica do zero leva até cinco anos entre o licenciamento e as obras pesadas.
Ao assumirem unidades prontas, as chinesas ganham galpões, sistemas elétricos e hidráulicos, além de licenças ambientais em dia.
Essa estratégia reduz riscos financeiros porque permite iniciar a montagem com kits importados e ampliar a produção nacional gradualmente.
Geely e Leapmotor adotam caminhos alternativos por meio de parcerias com Renault e Stellantis.
A logística estruturada e o acesso imediato a trabalhadores qualificados que conhecem o setor tornam essa reutilização economicamente mais viável.
O programa Mover oferece R$ 19,3 bilhões em créditos financeiros para empresas que investem em inovação e sustentabilidade.
Para receber esses créditos, que a Receita Federal libera como abatimento de impostos, as montadoras precisam destinar entre 0,3% e 0,6% da receita operacional bruta para pesquisa e desenvolvimento.
O governo aumentou gradualmente o imposto de importação para carros elétricos e híbridos até 35%. A medida tornou a produção local mais competitiva que a importação.
Liderança chinesa em eletrificados
No primeiro semestre de 2026, as chinesas BYD e GWM lideram o mercado de eletrificados. A BYD concentra 46,08% das vendas, com 99 mil veículos vendidos.
Segundo levantamento feito em buscas na internet, a GWM registra 15,6% de interesse público, seguida pela Toyota, com índice menor.
A Toyota, que liderava com 55,3% em 2022, caiu para terceiro lugar. Outras chinesas como Geely e Omoda Jaecoo também figuram entre os principais fabricantes do segmento.
O maior desafio é a adaptação técnica e a concorrência interna.
As chinesas precisam adaptar os carros ao gosto brasileiro e investir em tecnologias flex que usem etanol, um diferencial do mercado nacional.
A Anfavea critica a expansão de modelos montados com kits importados (CKD e SKD), argumentando que a estratégia reduz a geração de empregos na cadeia produtiva.
A entidade defende investimentos em fabricação completa para proteger a indústria nacional.
O Ministério do Desenvolvimento retomou temporariamente a alíquota zero para kits importados de veículos elétricos e híbridos, o que beneficia montadoras como a BYD, que operam em SKD.








