As famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões em apostas esportivas ao longo de 2025, segundo boletim divulgado nesta quinta-feira (6) pelo Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda) em parceria com o Cicef (Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento).
No mesmo período, as plataformas do setor movimentaram R$ 350,97 bilhões em transferências via Pix, no primeiro ano de vigência da regulamentação das bets no país.
O valor perdido representa a diferença entre o total apostado pelos usuários e o montante devolvido pelas próprias plataformas na forma de prêmios, e equivale a cerca de 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das famílias brasileiras.
O levantamento usa como base dados do Banco Central e das Estatísticas de Pagamentos por Atividade Econômica, e é a terceira edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, publicação que acompanha a saúde financeira do setor público e das famílias no país.
Número supera o divulgado pelo governo
Os R$ 62,5 bilhões em perdas apurados pelo Comsefaz são maiores que a receita de R$ 37 bilhões que o Ministério da Fazenda havia atribuído às casas de apostas legalizadas no país em 2025.
As duas métricas, porém, medem coisas diferentes: a receita das próprias empresas, de um lado, e o total líquido perdido pelos apostadores, de outro.
Proibição para o Bolsa Família reduziu o ritmo
O boletim também mostra que a proibição de apostas para beneficiários do Bolsa Família, em vigor desde o ano passado, desacelerou o crescimento das transações do setor e reduziu a diferença entre o volume de transferências estimado e o observado.
Para os pesquisadores, o efeito da restrição indica que famílias de menor renda tinham participação relevante nesse mercado antes da mudança.
O boletim ainda associa o resultado a um quadro mais amplo de fragilidade financeira das famílias brasileiras, marcado por altos níveis de endividamento e comprometimento da renda mensal, tendência já apontada em edições anteriores do mesmo levantamento.








