Luciano Hang confirmou que estuda abrir a primeira loja da rede fora do Brasil, na região metropolitana de Assunção, capital paraguaia.
O Paraguai adota o chamado modelo “10-10-10”: alíquota máxima de 10% de Imposto de Renda para pessoas físicas e jurídicas, e mais 10% de IVA, o equivalente ao ICMS brasileiro.
Existe ainda a Lei de Maquila, voltada a indústrias exportadoras, que cobra apenas 1% de tributo sobre o valor gerado no país e isenta o pagamento de impostos sobre dividendos e sobre a importação de máquinas.
O setor têxtil lidera essa migração, com empresas como Lupo, Döhler e Karsten, além de marcas de calçados como Dass e Kidy. A JBS também já anunciou US$ 70 milhões em investimento para voltar a operar no país vizinho.
CEO da Lupo virou símbolo do problema
Um caso específico ajudou a colocar esse movimento em evidência: em entrevista à Folha de S.Paulo, a CEO da Lupo, Liliana Aufiero, disse que a fabricante de meias, fundada em 1921 por um imigrante italiano em Araraquara, não escolheu ir para o Paraguai por vontade própria.
“Não é que a Lupo foi para o Paraguai, o Brasil empurrou a gente para o Paraguai. Os impostos estão comendo a operação de forma violenta”, afirmou.
A fábrica paraguaia, em Ciudad del Este, recebeu R$ 30 milhões em investimento e já emprega cerca de 110 pessoas.
Hang concorda com a fala da concorrente
Luciano Hang publicou um desabafo nas redes sociais apoiando a declaração da executiva da Lupo. “A fala da CEO da Lupo repercutiu em todo o Brasil, e com razão: a empresa não foi para o Paraguai, o Brasil empurrou a Lupo para lá”, escreveu.
Depois de se reunir com o presidente paraguaio, Santiago Peña, o empresário reforçou o interesse da Havan no país vizinho: “O Paraguai vive um momento de grande transformação. Com impostos baixos, liberdade econômica, contas equilibradas e estímulo ao empreendedorismo, o país atrai investimentos e gera oportunidades.”
Além das empresas, o próprio fluxo de brasileiros em busca de residência no Paraguai bateu recorde neste ano: foram 33.243 pedidos apenas no primeiro semestre, alta de 62% em relação ao mesmo período de 2025.








