Duas cidades espanholas na costa africana viraram, em menos de 24 horas, o centro de uma das maiores crises migratórias dos últimos anos entre Espanha e Marrocos.
Depois de Ceuta receber milhares de pessoas na manhã desta quinta-feira (30), Melilla, a cerca de 400 quilômetros dali, teve sua fronteira fechada à noite para conter uma tentativa parecida.

Onda de travessias deixou mortos pelo caminho
O drama humano por trás dos números é grande: dezenas de pessoas tentaram nadar até o território espanhol usando apenas boias improvisadas, e ao menos 18 delas morreram afogadas no processo, segundo a polícia local. Em apenas um dia, a estimativa das autoridades chega a 40 mil tentativas de travessia na região.
Parte considerável conseguiu passar escalando a cerca de segurança que separa os dois países, cenário que não se repetia com essa intensidade em Ceuta desde 2021, quando mais de 10 mil migrantes atravessaram em só 48 horas.
Estrutura de acolhida já estava no limite
Antes mesmo dessa nova onda, a cidade de Ceuta já enfrentava dificuldades para abrigar quem chegava: o único centro de acolhimento do enclave, com 512 vagas, já operava lotado nos dias anteriores.
Soma-se a isso o fato de que boa parte dos recém-chegados havia passado dias acampada do lado marroquino da fronteira, esperando uma brecha para tentar a travessia.
Espanha reforça segurança com militares
Diante do tamanho da crise, o governo espanhol decidiu enviar reforços das Forças Armadas para atuar ao lado da Guarda Civil em Ceuta, além de mandar mais 70 agentes para reforçar o policiamento que já contava com 80 profissionais na área.
O prefeito da cidade pediu, inclusive, que o governo central decretasse estado de emergência para a região, dado o volume de pessoas que a estrutura local não consegue mais absorver.
Vizinhos europeus também reagem à crise
O Marrocos, do seu lado, tentou impedir novas tentativas de saída usando jatos de água contra grupos que se aproximavam da fronteira, mas isso não impediu que novos aglomerados se formassem já na manhã seguinte.
A crise também mobilizou a França, país que anunciou reforço extra de controle em sua própria fronteira com a Espanha, por meio de uma força de intervenção criada especialmente para esse tipo de situação.
Enquanto isso, Madri e Rabat mantêm contato direto para tentar organizar o retorno de quem entrou de forma irregular no território espanhol.








