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Europeus estão fora das competições até que FIFA desista de vender Copa do Mundo

Por Júlio Nesi
31/07/2026
Em Geral
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Aleksander Ceferin, presidente da UEFA e uma das principais vozes opositoras à FFE.

Foto: Steffen Prößdorf / Wikimedia Commons

Aleksander Ceferin, presidente da UEFA e uma das principais vozes opositoras à FFE. Foto: Steffen Prößdorf / Wikimedia Commons

Após uma reunião de emergência marcada por tensão com a FIFA, a UEFA confirmou, nesta quinta-feira (30), que suas 55 federações-membro votaram unanimemente pelo boicote total a qualquer competição organizada pela entidade máxima do futebol.

A decisão vem em resposta ao plano do presidente Gianni Infantino de vender uma participação de 20% dos direitos comerciais da entidade a investidores privados.

No comunicado oficial, que também foi publicado nas redes sociais da entidade, a UEFA afirma que não haverá participação em Copas do Mundo masculinas ou femininas, nem em qualquer outro torneio da FIFA, enquanto a proposta da FIFA Forward Enterprise (FFE) não for “abandonada em sua totalidade”.

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A medida coloca em xeque a viabilidade da Copa do Mundo Feminina de 2027, no Brasil, e esvazia completamente a Copa do Mundo Masculina de 2030, cujas sedes principais seriam Espanha, Portugal e Marrocos.

A proposta que causou o conflito

O estopim da revolta foi a revelação, no início da semana, de que a FIFA planeja criar uma subsidiária comercial, a FFE, avaliada em US$ 20 bilhões. O objetivo é captar US$ 4,2 bilhões através da venda de uma participação minoritária para um consórcio de investidores.

A proposta da FIFA previa um pagamento imediato de US$ 20 milhões para cada uma das 211 federações filiadas, além de um aumento significativo nos repasses anuais de desenvolvimento. No entanto, a UEFA e outras entidades críticas veem a manobra como uma “privatização disfarçada”.

O temor central é que a entrada de acionistas privados crie um conflito de interesses permanente, em que o lucro dos investidores se sobreponha às decisões esportivas, ao calendário dos jogadores e à integridade das competições.

A UEFA também classificou o prazo imposto pela FIFA para aceitação da proposta (19 de setembro) como um ato de “intimidação” e “coerção”.

Oposição global

Embora a Europa tenha sido a única a decretar boicote total, a rejeição ao plano de Infantino ecoa globalmente. A CONCACAF (América do Norte, Central e Caribe), reunida em caráter de emergência, também rejeitou formalmente a proposta.

Em nota, a confederação criticou a “falta de devido processo”, o “prazo artificialmente curto” e a ausência de consulta prévia, questionando a necessidade de capital privado logo após a realização da “Copa do Mundo mais lucrativa da história”.

Na Ásia, a AFC manifestou “profunda decepção” por não ter sido consultada e pediu uma revisão urgente da governança da FIFA, alinhando-se às preocupações de transparência levantadas pelos europeus.

O sindicato mundial dos jogadores, a FIFPro, também se posicionou contra, alertando que a transformação da Copa do Mundo em um “ativo investível” remodelaria irreversivelmente as competições onde os atletas constroem suas carreiras, sem que houvesse qualquer diálogo com quem realmente joga o esporte.

Impacto do boicote

As consequências práticas do boicote já seriam sentidas no próximo ano. A Copa do Mundo Feminina de 2027, no Brasil, perderia três das quatro semifinalistas da edição anterior: as campeãs da Espanha, além de Inglaterra e França.

No masculino, além da perda das Seleções Europeias, também haveria uma troca de sede pela FIFA, pois como os três países-sede estão na Europa, eles não participariam do próprio torneio que sediariam.

Agora, a pressão recai sobre a FIFA e seu presidente. Com 60% da receita global do futebol originada na Europa, a viabilidade financeira da própria FFE se torna duvidosa sem a participação das seleções europeias.

Investidores como a Thrive Eternal, um dos consórcios mais interessados na FFE, dificilmente injetariam bilhões em uma entidade cujos principais ativos estão em greve contra sua própria governança.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Júlio Nesi

Júlio Nesi

Jornalista alagoano formado pela UFAL, já atuei em produção de conteúdo digital para portais, rádio e redes sociais.

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