O Ministério Público da Bolívia expediu, nesta quarta-feira (29), uma nova ordem de prisão contra o ex-presidente Evo Morales, sob acusação de terrorismo, insurreição armada, atentado à segurança de meios de transporte e associação criminosa.
A medida está relacionada aos bloqueios de rodovias que paralisaram o país por mais de 50 dias, entre maio e junho, em protestos que pediam a renúncia do atual presidente, Rodrigo Paz.
Este é já o segundo mandado de captura em vigor contra Morales, desde outubro de 2024, ele vive isolado no Trópico de Cochabamba, reduto político e sindical que o viu surgir como liderança sindical décadas atrás.

Protegido por apoiadores que impedem o cumprimento de outro mandado, relacionado a uma investigação por suposto tráfico de pessoas envolvendo uma menor de idade, com quem ele teria tido uma filha em 2016, ainda na Presidência, Morales nega as acusações e as classifica como perseguição política.
Governo atual rompeu com o próprio partido de Morales
A ordem chega em um momento delicado para o Movimento ao Socialismo (MAS), partido fundado por Morales: Luis Arce, seu ex-aliado e sucessor na Presidência, já foi preso por corrupção neste ano, e o atual presidente Rodrigo Paz, de centro-direita, rompeu de vez com o legado do antigo grupo governista.
Em publicação nas redes sociais, Morales acusou o governo de tentar responsabilizá-lo pelos protestos para desviar a atenção da crise econômica que o país enfrenta.
Caso lembra passagem de Lula pela prisão no Brasil
O episódio guarda um paralelo com a própria história política recente do Brasil: Lula, então já ex-presidente, ficou preso por 580 dias, entre 2018 e 2019, condenado por corrupção na Operação Lava Jato, antes de o Supremo Tribunal Federal anular os processos por considerar o ex-juiz Sergio Moro parcial no caso.
Assim como Morales alega hoje, Lula também classificou sua prisão como perseguição política, e o desfecho judicial de anos depois validou parte dessa alegação. Na Bolívia, ainda não há data prevista para o cumprimento efetivo do novo mandado contra Morales.








