O Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) anunciou nesta semana a emissão de um mandado de prisão internacional contra Pavel Durov, fundador e CEO do aplicativo de mensagens Telegram. O empresário é acusado de “cumplicidade em atividades terroristas” por supostamente não impedir que autoridades ucranianas usem a plataforma para recrutamento.
As acusações
Segundo o comunicado do FSB, Durov foi indiciado sob a Parte 1.1 do Artigo 205.1 do Código Penal Russo, que prevê penas que podem variar de 15 anos até prisão perpétua.
As autoridades russas alegam que a administração do Telegram recusou-se a remover canais, chats e bots utilizados por serviços de inteligência ucranianos e organizações “extremistas” para coordenar atos de sabotagem, terrorismo e fraudes cibernéticas dentro da Rússia.
O órgão de segurança afirma que essa falha na moderação resultou em “numerosas vítimas humanas, incluindo mulheres e crianças”, e causou bilhões de rublos em danos materiais. O FSB destacou que a plataforma foi usada como ferramenta central para “preparar e coordenar” ataques contra infraestruturas críticas e forças de segurança russas.
O suposto esquema dos ucranianos
Um ponto central da investigação russa foca no uso alegado de um bot de encontros popular na plataforma, conhecido como Daivinchik ou Leo Match. O FSB sustenta que agentes da inteligência ucraniana utilizaram o bot para se passar por jovens mulheres e estabelecer contato com homens russos, visando recrutá-los para cometer atos de sabotagem.
De acordo com as autoridades, desde julho de 2025, 46 cidadãos russos, com idades entre 12 e 22 anos, foram detidos em 16 regiões do país sob suspeita de atuar sob instruções recebidas através deste esquema.
Os detidos são acusados de realizar ataques incendiários contra infraestruturas de transporte e energia, além de agredir policiais. O bot foi banido na Rússia em dezembro de 2025, mas permaneceu acessível globalmente através do Telegram.
Resposta do Telegram
Apesar da ordem de prisão, a reação da equipe de Durov foi desafiar. Minutos após o anúncio do FSB, a conta oficial do Telegram no X (antigo Twitter) publicou uma imagem de Durov mostrando o dedo do meio.
Durov, que reside em Dubai e possui cidadania dos Emirados Árabes Unidos e da França, classificou o processo como “politicamente motivado”. Em declarações anteriores, ele argumentou que as autoridades russas estariam fabricando pretextos para justificar um bloqueio total ao aplicativo e suprimir a liberdade de expressão.
Aplicativo estatal
Durov ainda destacou que o caso é ainda mais “suspeito” devido ao fato de que a medida ocorre em meio a uma campanha do governo russo para promover o MAX, um aplicativo de mensagens estatal que oferece menos privacidade e coopera integralmente com as autoridades.
O Telegram, com mais de um bilhão de usuários globais, permanece como um dos poucos canais de comunicação independentes ainda acessíveis na Rússia, embora o governo tenha imposto lentidão no acesso à plataforma nos últimos meses.








