A escala 6×1, em que o trabalhador cumpre seis dias de trabalho para apenas um de folga, começou a perder espaço em grandes redes de supermercados e farmácias no Brasil. Embora a mudança ainda não seja obrigatória nem valha para todo o varejo, empresas como RD Saúde, Supernosso, Supermercados BH, Extrabom e Revolução já adotaram ou testam a escala 5×2, com duas folgas semanais.
O caso mais avançado é o da RD Saúde, dona das farmácias Droga Raia e Drogasil.
A rede, com mais de 3.500 lojas no país, implementou a escala 5×2 em todas as suas unidades, começando pelos cargos de liderança e farmacêuticos, antes de estender a mudança para toda a operação. A carga horária semanal de 44 horas foi mantida, dentro do limite previsto pela legislação trabalhista.
Nem toda rede já aplicou a mudança em todas as lojas
Diferente da RD Saúde, outras empresas ainda testam o modelo em parte de suas unidades. O Grupo Supernosso, de Minas Gerais, iniciou a escala 5×2 em três de suas 45 lojas em Belo Horizonte, com planos de expandir para as demais unidades e cerca de 4.800 funcionários.
Já a rede Extrabom, no Espírito Santo, conduz um projeto-piloto em três filiais. A rede paulista Revolução confirmou que vai substituir a escala tradicional de forma gradual, sem data definida para concluir a transição.
Uma solução alternativa: fechar aos domingos
O Supermercados BH adotou uma abordagem diferente: em vez de reorganizar turnos internos, passou a fechar as lojas aos domingos no Espírito Santo, garantindo folga fixa nesse dia para toda a equipe.
O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou força no Congresso Nacional, mas a proposta que discute o tema ainda não foi aprovada e segue em tramitação.
Enquanto isso, empresas do varejo decidiram se antecipar, motivadas principalmente pela dificuldade de contratar e reter funcionários: somente em 2025, o setor de supermercados registrou 350 mil vagas não preenchidas, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras).
Nem todos estão satisfeitos com o novo modelo
A mudança também gerou controvérsia, já que o Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de São Paulo entrou com uma ação judicial contra a RD Saúde, questionando a nova escala.
Segundo o sindicato, o modelo apenas redistribui os dias de trabalho ao longo da semana, sem reduzir de fato a carga horária total, o que não resolveria o problema de sobrecarga alegado pelos próprios trabalhadores.








