O surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) perdeu o controle epidemiológico neste fim de semana, com a confirmação da disseminação do vírus para as províncias de Haut-Uélé e Tshopo, elevando o número oficial de casos para 1.926 e de mortes para 702.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que a verdadeira escala da epidemia pode ser até quatro vezes maior devido à falha no rastreamento de contatos.
Expansão para centros urbanos críticos
Autoridades da OMS apontam que a confirmação de casos em Tshopo, província que abriga Kisangani, uma das maiores cidades da RDC e principal hub de transporte fluvial do nordeste do país, marca um aumento drástico na gravidade do surto.
Até o momento, foram registrados quatro casos e duas mortes na província, todos importados da zona de saúde de Nia-Nia, em Ituri, o epicentro da crise com 90% das infecções totais.
Além disso, especialistas alertam que a situação em Haut-Uélé é igualmente preocupante devido à sua localização fronteiriça com o Sudão do Sul e a República Centro-Africana, nações com sistemas de saúde frágeis.
Embora apenas um caso e uma morte tenham sido confirmados nesta província, o risco de disseminação transfronteiriça levou a OMS a declarar o surto como uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional.
Variante ainda sem vacina acelera crise
Diferentemente de surtos anteriores, a epidemia atual é causada pela variante Bundibugyo, para a qual não existem vacinas licenciadas ou tratamentos antivirais específicos. A ausência de contramedidas médicas aprovadas força as equipes de resposta a depender exclusivamente de medidas básicas de contenção, como isolamento e higiene.
O Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC) classificou esta como a epidemia de ebola de crescimento mais rápido já registrada, superando o ritmo inicial da crise da África Ocidental de 2013-2016.
Vale destacar, no entanto, que a Universidade de Oxford deu início nesta semana ao primeiro teste em humanos com o ChAdOx1 BDBV, uma nova vacina contra a cepa Bundibugyo. O imunizante utiliza a mesma plataforma tecnológica da vacina contra a Covid-19.








