Menos chuva, mais calor e mais uso de ar-condicionado. Essa combinação, ligada ao fenômeno climático El Niño, deve pressionar as contas de luz dos brasileiros a partir de 2027, segundo analistas do setor elétrico ouvidos pela CNN Brasil.
O El Niño é um fenômeno climático natural, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, que altera o regime de chuvas em diferentes regiões do planeta, incluindo o Brasil.
Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há 63% de chance de o fenômeno atingir a categoria “muito forte” entre novembro deste ano e janeiro de 2027, o que colocaria o ciclo atual entre os mais intensos desde 1950.
Por que menos chuva encarece a conta de luz
A maior parte da energia elétrica consumida no Brasil vem de hidrelétricas, usinas que dependem do volume de água armazenado em reservatórios para gerar eletricidade.
Com menos chuva, esses reservatórios enchem menos, e o país precisa acionar termelétricas, usinas que queimam combustíveis fósseis para produzir energia a um custo mais alto.
Some-se a isso o consumo maior de eletricidade puxado pelo uso intenso de ar-condicionado em dias mais quentes, e o resultado é uma pressão adicional sobre o sistema elétrico nacional.
O tamanho do aumento ainda é incerto
Estimativas de diferentes analistas do setor variam bastante. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) projeta que a combinação entre o El Niño e novos contratos de energia já fechados pode elevar os custos do setor elétrico em até 20%.
Já outras consultorias climáticas trabalham com uma faixa mais moderada, entre 5% e 15%, a depender do volume de consumo e da região do país.
O país está se preparando bem
Apesar do risco para o próximo ano, o Brasil inicia o ciclo do El Niño em situação relativamente confortável. Os reservatórios das hidrelétricas do Nordeste registram entre 95% e 100% da capacidade nos últimos meses, após dois anos seguidos de chuvas favoráveis.
No Sudeste e no Centro-Oeste, regiões que concentram cerca de 70% do armazenamento hídrico do país, os níveis também permanecem estáveis, o que reduz, ainda que não elimine, o risco de um choque abrupto nas tarifas.




