Augusto Cury pode se tornar presidente do Brasil?
Em um eventual segundo turno, Cury herdaria o voto de todos os que são contra o seu rival, seja Lula ou Flávio Bolsonaro
O escritor e psiquiatra Augusto Cury (foto) deu um salto considerável nas últimas pesquisas AtlasIntel (7,8%) e BTG/Nexus (11% no cenário estimulado).
"Com 11%, Cury torna-se o primeiro candidato da 'terceira via' a ultrapassar a barreira dos dois dígitos. Ele já soma mais votos do que todos os outros candidatos de oposição não-bolsonaristas juntos", observa o cientista político Leonardo Barreto, colunista de Crusoé.
"O crescimento de Cury ocorreu às custas de outros candidatos, indicando uma migração de votos significativa. Juntos, Lula e Flávio perderam 6 pontos, e Cury foi o principal beneficiário desse movimento de eleitores insatisfeitos com a polarização", diz Barreto.
Conciliador
Cury destoa do clima de agressividade entre os demais candidatos por seu estilo apaziguador, e até já deu um puxão de orelha em Renan Santos, da Missão, no debate da Bandeirantes: "Você tem um nível de agressividade que me assombra. As ideias podem ter fundamento, mas a agressividade asfixia a capacidade das pessoas terem as suas próprias opiniões. Nós estamos numa democracia".
Para o brasileiro cansado da política nervosa e polarizada entre lulistas e bolsonaristas, Cury pode ser uma opção.
E, ao alcançar o terceiro lugar nas pesquisas, ele será mais comentado pela imprensa e nas redes sociais, podendo ganhar mais eleitores.
Alvo
Ao mesmo tempo, Cury também se tornará alvo de ataques.
O problema para Lula e para Flávio Bolsonaro é que Cury não tem muitos flancos abertos.
Não há registros de Cury telefonando pedindo dinheiro para Daniel Vorcaro, do banco Master, nem tem filho lobista trabalhando com Roberta Luchsinger e o Careca do INSS.
Cury pode ser criticado por sua falta de experiência na política e por suas propostas ingênuas ou absurdas, como transformar 5% dos servidores municipais em policiais, tornar cooperados 50 milhões de brasileiros, dobrar a produção agrícola em 10 anos, fazer 80% das consultas de saúde virtuais e criar um fundo global para alimentar a humanidade.
Nesta semana, ele voltou a defender o uso de drones pela polícia para evitar que mulheres sejam vítimas de violência doméstica.
Mas essas falhas poderiam ser administradas pela campanha, até mesmo com apoio de outros candidatos que estão vendo suas chances minguarem, como Ronaldo Caiado e Romeu Zema.
Trunfos
Cury tem tempo no horário eleitoral gratuito, o que vai ajudar a projetá-lo e apresentá-lo para a população que ainda não o conhece.
Mas o principal trunfo de Cury é sua baixa rejeição (18,5%), a menor entre todos os candidatos, segundo a AtlasIntel.
Caso consiga ir para o segundo turno, ele poderia competir com Lula ou Flávio Bolsonaro, ambos com rejeição acima de 50%.
Em ambas situações, Cury ganharia sem esforço o voto de todos os que são contra Lula ou contra um membro da família Bolsonaro.
E o presidente Lula tem somente 27% de "ótimo" e "bom" no Lulômetro, o que torna sua reeleição improvável.
A partir desta semana, os institutos de pesquisa passarão a incluir Augusto Cury nas simulações de segundo turno, o que não acontecia até então.
Se ele se mostrar como alguém capaz de derrotar Lula, então, suas chances poderão crescer ainda mais.
Leia em Crusoé: Divirta-se com o plano de governo de Augusto Cury
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