Argentino das urnas depõe sobre ataque à ex-namorada
Fernando Cerimedo nega envolvimento e afirma que estava em La Paz no momento do ataque
O consultor político Fernando Cerimedo, o argentino das urnas, prestou depoimento nesta quinta, 20, após o Ministério Público da Bolívia acusá-lo de planejar uma emboscada contra sua companheira, Nadia Beller, vítima de um atentado em Santa Cruz de la Sierra, na segunda, 17.
Durante a oitiva, Cerimedo afirmou que conheceu Nadia em outubro do ano passado, durante atividades relacionadas à campanha do presidente boliviano, Rodrigo Paz, por meio de um amigo em comum.
O argentino relatou que o relacionamento evoluiu de uma relação profissional para pessoal e que, a partir de então, os dois passaram a manter um relacionamento amoroso.
Segundo Cerimedo, a relação teve “altos e baixos”. Ele afirmou que, no dia 16 de agosto, os dois foram à Clínica Las Américas porque Nadia estava sentindo mal-estar e náuseas.
O médico informou que a jovem estava grávida de quatro semanas.
“Na segunda-feira, 17 de agosto, ela ficou no hotel e eu fui para a cidade de La Paz no voo das 6h50. Quando saí, paguei a conta e avisei a recepção que havia alguém no quarto. Por volta das 11h, ela saiu do hotel…” , diz trecho do processo.
O caso
Em 17 de agosto, Nadia foi baleada em frente a um hotel de Santa Cruz de la Sierra.
Segundo os investigadores, Cerimedo persuadiu e insistiu para que a mulher fosse ao hotel sob o pretexto de que receberia informações de inteligência. Em outras ocasiões, Nadia havia recusado o convite.
De acordo com a acusação, ao deixar o hotel, Nadia foi interceptada por dois homens em uma motocicleta.
Vestidos com mochilas de serviço de entrega, eles atiraram várias vezes contra a mulher e, em seguida, roubaram seu celular e sua carteira.
Nadia sobreviveu ao ataque e foi levada de emergência, em uma ambulância, para um centro médico na noite de segunda-feira, 17.
Três balas foram retiradas de seu peito. Ela está fora de perigo e acusou Cerimedo de ter arquitetado o crime.
Ele foi detido no aeroporto de Viru Viru, quando pretendia embarcar em um avião da companhia Aerolíneas Argentinas, com destino a Buenos Aires.
Denúncia
Crusoé obteve a denúncia formal apresentada pela Procuradoria de Santa Cruz contra Cerimedo, que contém o relato da mulher sobre o ataque.
Segundo Nadia, Cerimedo teria pressionado para que ela fosse a um encontro sob o pretexto de obter informações sobre um suposto caso de estupro envolvendo o ex-presidente da Bolívia Evo Morales e uma menor de 13 anos.
"Meu companheiro Fernando Cerimedo [...] me disse que conhecia o caso e insistiu para eu ir. Depois que me plantaram duas vezes, eu não quis mais. Ele continuou falando: ‘vai, vai’", diz um trecho do relato.
Grávida de quatro semanas, Nadia afirma que Cerimedo, que trabalha com o governo boliviano e recebe informações de inteligência, conhecia o caso, mas não tinha acesso às provas.
“Por último eu perguntei: ‘não será você que quer se livrar de mim? Porque você está numa situação delicada e estamos esperando um bebê’. Estou com um mês de gravidez e tivemos várias brigas por isso.”
Ela também relata que já havia ocorrido um episódio anterior de violência envolvendo Cerimedo.
Segundo Nadia, em determinado momento, ela chegou a ameaçar tornar o episódio público.
Quando já havia desistido de ir ao encontro, por ter achado estranho que as pessoas não aparecessem, Cerimedo teria dito: “Me ajuda com o Evo.”
“Ele disse que ia mandar escoltas para me proteger. Eu saí na porta do hotel e apareceram os dois da moto. Atiraram direto em mim. O custódio não fez nada.”
O número do telefone
Nadia afirma que passou a Cerimedo o número de telefone da pessoa que supostamente forneceria as informações, para que ele pudesse rastreá-la.
Segundo a mulher, o companheiro nunca deu resposta.
A pessoa que entregaria as informações também não apareceu. “Chegaram os sicários.”
No primeiro disparo, levaram seu celular. Nos outros dois, sua bolsa.
Cerimedo foi detido no aeroporto de Viru Viru, quando pretendia embarcar em um voo da companhia Aerolíneas Argentinas com destino a Buenos Aires.
Pedido de prisão
A Promotoria boliviana pede a prisão preventiva de Cerimedo sob a alegação de que ele é argentino e não possui residência comprovada na Bolívia.
Aos policiais, o consultor político afirmou morar no Edifício Arboleda, em Calacoto, La Paz.
Os agentes, porém, não conseguiram confirmar com vizinhos se ele de fato reside no local.
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