Programas de Lula perdem tração
Isenção do IR, Desenrola 2.0 e retórica antiamericana perdem capacidade de seduzir o eleitor
A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta, 5, mostra que vários programas do governo Lula, criados para conquistar eleitores, estão perdendo tração bem no momento em que a campanha começa para valer.
O prazo para os partidos enviarem suas chapas ao Tribunal Superior Eleitoral se encerra nesta quarta, 5.
A partir de agora, faltam apenas 60 dias para as eleições.
Isenção do IR
No último levantamento, 68% disseram que não foram beneficiados pela isenção de imposto de renda para quem ganha até 5 mil salários mínimos.
Em julho, o índice foi de 65%.
Ao mesmo tempo, houve uma queda entre os que disseram terem sido beneficiados: de 32% para 30%.
Entre julho e agosto, subiu de 39% para 46% o índice daqueles que disseram não ter sentido diferença com a isenção do imposto de renda.
Desenrola
Outro programa para ganhar votos foi o Desenrola 2.0.
Entre julho e agosto, os que acham que o Desenrola 2.0 foi uma boa ideia caiu de 55% para 47%.
O índice dos que acham que o Desenrola aumentou a renda significativamente despencou de 35% para 26%.
Soberania
Lula também tem recorrido ao enfrentamento com os Estados Unidos para ganhar votos.
Antes, os brasileiros estavam achando que Lula estava agindo corretamente ao peitar o presidente americano Donald Trump.
Mas já não é mais assim.
A fatia dos brasileiros que acham que Lula está agindo mal subiu de 36% em maio para 43% em agosto.
Em paralelo, aqueles que acham que Lula é a pessoa que melhor defende os interesses do Brasil caiu de 51% para 46%.
Não vai desenrolar
No artigo Não vai desenrolar, publicado em maio na Crusoé, o estrategista eleitoral Roberto Reis afirmou que o efeito do Desenrola 2.0 não duraria até as eleições.
"Aqui está o ponto político central: a renegociação gera sensação inicial de fôlego, alívio, respiro. Depois, gera um carnê mensal duradouro. Quem renegociar em maio começa a pagar em junho. Quem renegociar em agosto começa a pagar em setembro. Outubro, mês da eleição, tende a ser mês de parcela recorrente", escreveu Reis.
"O problema eleitoral vai voltar na cara do governo quando ele mais precisa. O eleitor vota com a sensação concreta daquele mês. Nome limpo ajuda? Sim. Juros menores ajudam? Sim. Desconto ajuda. Mas a dívida continua existindo e o eleitor pensa no curto presente."
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