Lula não quer renovação alguma na política
"A vida da gente, na política, é como se você estivesse entrando em um canal, sabe? Cheio de água num barco. Você não tem como voltar", disse o presidente
O presidente Lula (foto) foi interrogado no podcast Inteligência Ltda sobre por que não indicou um sucessor para concorrer à Presidência este ano.
A resposta do petista foi reveladora.
“Eu preparo tanta gente", respondeu o presidente. "Eu fui o cara que lançou a primeira mulher presidenta da história desse país. Depois nós lançamos o Haddad, em 2018", disse Lula.
Acontece que, nos dois casos citados como exemplos para dizer que prepara outras pessoas, Lula estava impossibilitado de concorrer ao Planalto.
Quando lançou Dilma Rousseff em 2010, Lula estava completando seu segundo mandato.
Pela Constituição brasileira, não é possível concorrer a um terceiro mandato consecutivo.
Em 2018, Lula insistiu na sua candidatura até que o Supremo Tribunal Federal inviabilizasse seu plano.
Fernando Haddad só entrou na corrida quando Lula não tinha mais possibilidade alguma.
O argumento de Lula para inviabilizar outros nomes é o de que ele é indispensável. Sem ele no páreo, a vitória seria do inimigo.
"Acontece que tem momentos na política e no futebol em que você não tem a quantidade de craque que você queria ter, né? Então você acha que eu sou candidato porque eu quero ser candidato outra vez? Eu estou com 80 anos, cara", afirmou o presidente.
"O meu desejo, se eu pudesse era descansar com a minha namorada, com a minha Janjinha. Mas eu não vou deixar a extrema-direita voltar. Não vou deixar.”
O entrevistador Rogério Vilela insistiu no tema: “Você não via mais ninguém com chance?”.
“A verdade é que, no momento, hoje não tem ninguém capaz de derrotar essa gente”, afirmou Lula.
“Mas, e no futuro?”, questionou Vilela.
"No futuro, daqui a quatro anos, pode ter 10, pode ter 20."
Daqui a quatro anos, Lula não poderá concorrer de novo, caso se reeleja este ano.
Viagem sem volta
Curiosa também é a analogia que Lula usou para falar da vida na política.
"A vida da gente, na política, Vilela, é como se você estivesse entrando em um canal, sabe? Cheio de água num barco. Você não tem como voltar. Não tem como voltar", disse Lula.
A analogia condiz com a atuação de Lula ao longo das últimas décadas.
Depois que ele entrou na política, ele não voltou. Seguiu com seu barco, sem dar chance aos outros.
Dilma e Haddad só entraram quando o barco não tinha mais condições de seguir adiante.
Mas, como confessar tal coisa geraria incômodo, Lula malandramente afirmou, logo em seguida, o oposto do que estava dizendo.
"Eu acho que a política brasileira precisa ser renovada 100%. Os partidos políticos têm que ser renovados”, disse Lula.
Se não há renovação no PT e na esquerda, a culpa é inteiramente de Lula.
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