EUA anunciam retirada da Síria da lista de Estados patrocinadores do terrorismo
Marco Rubio diz que decisão foi baseada em garantias de Ahmed al-Sharaa; Congresso pode vetar
Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira, 8, que irão retirar a Síria da lista de Estados patrocinadores do terrorismo.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, notificou o Congresso sobre a medida, que entrará em vigor em 45 dias.
Parlamentares ainda podem tentar barrar a decisão, embora essa possibilidade seja considerada remota.
A Síria integra a lista desde 1979, quando Washington passou a impor sanções econômicas ao país em razão de acusações de apoio a grupos terroristas e de graves violações de direitos humanos.
No documento, Rubio afirmou que "uma Síria estável e unificada, em paz consigo mesma e com seus vizinhos, beneficia não apenas a região, mas o mundo inteiro".
Segundo o secretário, o presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, apresentou "garantias formais" de que o país não "apoiará atos de terrorismo internacional no futuro".
"O levantamento das sanções contra a Síria destravará o comércio e os investimentos internacionais, dará ao país a oportunidade de se reconstruir e abrirá um novo capítulo para o povo sírio".
O anúncio foi feito enquanto o presidente americano, Donald Trump, se reunia com Shaara à margem de uma cúpula da Otan na Turquia.
"Jovem atraente"
No ano passado, Trump reuniu-se com Sharaa, a quem classificou "um rapaz jovem atraente, durão e com um passado sólido", em Doha.
O "passado" ao qual o republicano se referia é o de líder do HTS — uma costela da Al Qaeda — quando Sharaa era chamado de Mohamed al-Jolani.
Trump enxerga no novo presidente sírio um aliado para impedir o ressurgimento do Estado Islâmico (Isis), que foi derrotado pelo regime de Assad durante a guerra civil de 2015.
Unidade
A maior missão do governo sírio será a de manter a Síria unida.
Sharaa não foi eleito presidente do país, e chegou ao poder após um golpe armado em 2024.
Ciente da falta de legitimidade interna, ele prometeu novas eleições presidenciais.
No entanto, deu um prazo de quatro a cinco anos para a realização, alegando que "qualquer eleição válida exigirá um censo populacional abrangente".
Além disso, o novo governo já apresentou um rascunho preliminar de uma nova Constituição, como garantia de uma Síria democrática prometida à comunidade internacional.
A Constituição anterior, de 2012, foi criada por Bashar Assad.
Nos primeiros meses, o país registrou confrontos entre o Exército sírio e remanescentes do regime.
Em março, houve ataques entre milícias pró-Assad e as forças do novo governo.
Em resposta, o Exército matou centenas de pessoas da minoria alauíta, da qual o antigo regime fazia parte.
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