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O drone russo que voa sozinho

A Rússia aposta em drones mais rápidos e inteligentes, enquanto a Ucrânia busca novas formas de conter seus ataques

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José Inácio Pilar
4 minutos de leitura 03.07.2026 11:09 comentários 0
O drone russo que voa sozinho
Imagem: IA por José Inácio Pilar
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A guerra de drones na Ucrânia entrou em uma nova fase de sofisticação tecnológica. Segundo Serhii Beskrestnov, consultor do Ministério da Defesa ucraniano e especialista em guerra eletrônica, a Rússia teria começado a usar uma versão totalmente autônoma do drone de ataque Molniya.

O modelo recuperado não tinha antena de controle nem sistema de transmissão de vídeo, apenas uma câmera e um computador de bordo, identificado como uma placa FlyCore.

O Molniya é um drone tático de baixo custo, fabricado em série com materiais simples como madeira compensada, plástico e tubos de alumínio, com alcance de cerca de 30 a 40 km. Seu preço estimado entre 300 e 500 dólares por unidade permite que a Rússia o utilize em grandes quantidades, mesmo com altas taxas de perda.

Segundo Beskrestnov, o equipamento permitiria navegar até coordenadas pré-programadas e, na fase final, usar inteligência artificial para localizar e atacar o alvo sem necessidade de comandos externos.

Essa ausência de sinal de rádio impede detecção pelos sistemas ucranianos que rastreiam esses tipos de emissões de controle, e o torna muito mais resistente à interferência eletrônica (jamming), já que não há link algum para bloquear.

Beskrestnov afirma que essa versão já vem sendo usada de forma intensa na região de Zaporíjia e que o caso lembra o drone V2U, que já apresentava autonomia parcial. Na avaliação dele, isso sugere que a Rússia esteja treinando suas redes neurais com base nesse modelo anterior.

Essa evolução faz parte de uma adaptação russa mais ampla à guerra eletrônica ucraniana, que inclui versões com fibra óptica e maior uso de inteligência artificial, especialmente na fase terminal do voo.

Paralelamente, a Ucrânia enfrenta outro desafio no céu: o avanço dos drones russos movidos a motor a jato, como o Geran-3 e o mais recente Geran-5. Segundo o porta-voz da Força Aérea ucraniana, coronel Yurii Ihnat, esses modelos atingem até 500 km/h, bem acima dos cerca de 300 km/h alcançados pelos drones interceptadores ucranianos.

Isso obriga Kiev a usar mísseis antiaéreos, mais caros e escassos, no lugar de interceptadores mais baratos. O comandante das Forças Armadas da Ucrânia, Oleksandr Syrskyi, disse no início de junho que a Rússia planeja elevar para 50% a proporção de drones a jato em seus ataques.

Essa combinação de velocidade e autonomia tende a aumentar os custos da defesa ucraniana, pois obriga o uso mais frequente de mísseis antiaéreos caros no lugar de interceptadores mais baratos.

Embora em diversos ataques recentes a taxa de interceptação tenha superado 90%, o alto volume de ataques russos, com produção mensal de milhares de drones, gera pressão contínua sobre a infraestrutura e os recursos de Kiev.

Ainda assim, essa combinação de velocidade e autonomia tende a reduzir o tempo de reação da defesa aérea e a encarecer cada ataque russo neutralizado com sucesso.

É importante notar que a autonomia atual dos Molniya ainda apresenta limitações: caso utilize visão computacional relativamente simples, a inteligência artificial tende a operar com base em contraste e movimento, e não em reconhecimento avançado de alvos, o que pode reduzir sua precisão em ambientes complexos ou sob fortes contramedidas.

Do lado ucraniano, as Forças Armadas respondem com produção acelerada de interceptadores próprios e aprimoramento contínuo de sistemas de guerra eletrônica.

Embora representem um avanço preocupante para Kiev, as informações sobre a versão autônoma do Molniya ainda se baseiam principalmente nos relatos de Beskrestnov, sem confirmação independente de outras fontes militares ucranianas ou do lado russo até o momento.

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