Crusoé
29.04.2026 Fazer Login Assinar
Crusoé
Crusoé
Fazer Login
  • Acervo
  • Edição diária
Edição Semanal
Pesquisar
crusoe

X

  • Olá! Fazer login
Pesquisar
  • Acervo
  • Edição diária
  • Edição Semanal
  • Entrevistas
  • O Caminho do Dinheiro
  • Ilha de Cultura
  • Leitura de Jogo
  • Poder
  • Colunistas
  • Assine já
    • Princípios editoriais
    • Central de ajuda ao assinante
    • Política de privacidade
    • Termos de uso
    • Política de Cookies
    • Código de conduta
    • Política de compliance
    • Baixe o APP Crusoé
E siga a Crusoé nas redes
Facebook Twitter Instagram
Diários

O manual do eleitor sem dono

Por quatro anos, ele contrata quem parece oferecer menos risco e mais utilidade prática

avatar
Roberto Reis
6 minutos de leitura 28.04.2026 17:03 comentários 1
O manual do eleitor sem dono
Eleitor moderado. Inteligência artificial ChatGPT
  • Whastapp
  • Facebook
  • Twitter
  • COMPARTILHAR

Existe um eleitor brasileiro que não veste camisa colorida em dia de votação, não cultua herói político e não mantém partido de estimação. É um eleitor exigente e pragmático.

Ele é flutuante e não vive a eleição como religião. Aliás, vive como incômodo.

Observa o preço da gasolina, a insegurança diante de um celular roubado, o humor da família no churrasco, a conversa no trabalho no fim do mês, o noticiário da TV, sim, da TV, e a sensação de ordem ou desordem.

A primeira palavra da nossa bandeira faz muito sentido para esse eleitor: tudo precisa estar em ordem.

Para ele, o voto tem menos aparência de fé em um herói e mais aparência de assinatura de contrato com um servidor público. Ele contrata, por quatro anos, quem parece oferecer menos risco e mais utilidade prática.

Esse é o eleitor do meio flutuante.

Grande o bastante para decidir a eleição. Silencioso o bastante para ser subestimado.

Pesquisa Meio/Ideia de abril mostrou que 51,4% dos entrevistados ainda admitiam mudar de candidato até outubro.

Aliás, é preciso falar a verdade. Na média das pesquisas, o número gira em torno disso. O eleitor tende a se decidir na última hora, como o brasileiro faz com quase tudo, do Imposto de Renda à urna. Deixa para decidir e agir depois.

Essa informação não revela apenas indecisão. Revela que existe uma parte relevante do país em movimento, fora da disciplina emocional das torcidas políticas de um lado e de outro. É esse o eleitor que precisa ser observado.

Direita e esquerda têm núcleos cristalizados.

Esses grupos dão volume, barulho, militância e defesa pública. Mas não mudam uma eleição. A campanha presidencial se decide na borda, no eleitor que não quer pertencer a um campo. Ele só quer resolver a própria vida em uma manhã ou tarde de domingo. E pronto.

Para conquistá-lo, há regras básicas.

A primeira é entender a tirania do presente.

O eleitor flutuante é sensível aos temas do momento. Ao que está acontecendo hoje. E hoje esses temas formam uma lista incômoda para qualquer incumbente: custo de vida, criminalidade, corrupção, crédito caro, carga tributária e sensação de excesso estatal. Alguns são dados econômicos. Outros são percepções políticas. Todos, porém, produzem o mesmo efeito: cobram a conta de quem governa.

A segunda regra é o pragmatismo.

O eleitor do meio não acompanha alianças como um militante que só pensa em traições. Ele mede equilíbrio, utilidade e chance de vitória. Em política majoritária, pureza excessiva costuma servir mais à vaidade e à torcida do que à urna. Dobradinhas regionais e ideológicas precisam ser testadas como hipótese eleitoral nas pesquisas. Se A soma menos e B soma mais, B passa a ser a escolha racional.

O nome importa? Sim. Mas a transferência de votos importa mais.

A terceira regra é comportamento.

O eleitor moderado não exige concordância integral com sua paquera eleitoral. Exige previsibilidade, segurança. Quer saber se o candidato fala com quem discorda, se controla o tom, se respeita ambientes hostis, se transmite serenidade sob pressão.

Foi essa lógica que sustentou o “Lulinha paz e amor” em 2002. A imagem não apagou o histórico do Lula, mas reduziu o medo de setores que ainda o viam como um risco elevado.

Esse ponto foi fatal para Jair Bolsonaro em 2022.

A dificuldade de conversar com jornalistas, mulheres e segmentos refratários ao conflito permanente teve peso central. A rejeição muitas vezes nascia menos das propostas e mais do modo como elas chegavam ao ouvido do eleitor. Muitas vezes, aos berros.

A quarta regra é a escolha do vice.

Vice bom não repete o titular. Corrige, complementa, apara arestas.

José Alencar, por exemplo, ao lado de Lula, foi o complemento clássico: empresário, mineiro, moderado, patronal. Funcionava como uma vacina simbólica contra o medo que Lula ainda despertava no mercado e em parte do eleitorado.

Um vice precisa entregar algo que o cabeça de chapa não tem.

Pode ser região, gênero, setor social, religião, moderação, experiência administrativa ou credibilidade econômica.

A quinta regra é a mais negligenciada: o candidato principal não deve ser o rosto permanente do ataque.

O eleitor brasileiro até consome lideranças conflituosas. Mas elas cansam. O eleitor costuma desconfiar de quem parece viver de guerra. A pancada pode existir, em certos momentos precisa existir, mas tem de ser exceção.

O titular deve preservar estatura. O ataque pode ser feito por aliados, partido, vice, influenciadores, lideranças regionais e operadores de contraste.

O candidato principal precisa aparecer como a solução, não como briga ambulante.

Dentro desse recorte, sejamos honestos.

Até aqui, Flávio Bolsonaro virou um caso relevante de observação para 2026.

As pesquisas recentes mostram uma disputa tecnicamente aberta em cenários de segundo turno, com crescimento de Flávio sustentado pelo que apresentou até aqui na pré-campanha e, claro, pelo peso do sobrenome, que traz votos fiéis.

O ponto mais importante, porém, não está apenas no número, que tende a seguir polarizado e competitivo até o fim.

Está no movimento qualitativo de Flávio.

A começar pela forma como ele tenta se apresentar: menos “Bolsonaro” como marca isolada e mais “meu amigo Flávio”, alguém próximo, companheiro, leal.

Flávio tenta construir um tom menos explosivo que o do pai, mais familiar e mais conversável. A presença da esposa, Fernanda Bolsonaro, em várias peças de pré-campanha, chamando o senador de “Bolsonaro moderado”, foi lida pela imprensa como uma tentativa clara de reduzir resistências entre mulheres, evangélicos e eleitores moderados.

Esse movimento tem lógica eleitoral evidente. O sobrenome Bolsonaro transfere a identidade, mas também transfere a rejeição.

A tentativa de moderação busca reduzir esse custo sem romper com o principal ativo do sobrenome.

Até aqui, ele segue o manual do eleitor do meio com bastante disciplina. Amplia palanques, sinaliza para ex-adversários, trabalha uma imagem cotidiana mais leve e calibra melhor o tom.

É o cuidado necessário com o eleitor flutuante, independente.

Ainda há tempo. Ainda haverá campanha formal, debates, alianças, crises e fatos novos. Flávio será testado e retestado. E o eleitor do meio é chamado de flutuante por uma razão simples: ele se move.

Pode ir embora rápido.

Mas, até aqui, há uma conclusão simples e objetiva.

Quem quiser vencer em 2026 precisará falar menos com a própria torcida e mais com o eleitor que não quer pertencer a ninguém.

Até aqui, Flávio está vencendo.

 

Roberto Reis é estrategista eleitoral

X: @RobertoReis

Instagram: robertor.eis

 

As opiniões dos colunistas não necessariamente refletem as de Crusoé e O Antagonista

Diários

Messias se posiciona como o ministro 'terrivelmente evangélico' de Lula

Redação Crusoé Visualizar

Justiça condena presidente do PSTU por racismo contra judeus

Redação Crusoé Visualizar

PF erra em diagnóstico sobre terrorismo

Clarita Maia Visualizar

Quaest aponta empate técnico entre ACM Neto e Jerônimo na Bahia

Redação Crusoé Visualizar

Israel destrói rede de túneis do Hezbollah no sul do Líbano

Redação Crusoé Visualizar

Ninguém mais acredita na Justiça — e isso muda tudo

Maristela Basso Visualizar

Mais Lidas

68% ainda não sabem quem governa Minas, aponta Quaest

68% ainda não sabem quem governa Minas, aponta Quaest

Visualizar notícia
Após 'Os intocáveis', surge 'O herdeiro' João Campos

Após 'Os intocáveis', surge 'O herdeiro' João Campos

Visualizar notícia
Cólera antidemocrática do STF é reflexo do petismo

Cólera antidemocrática do STF é reflexo do petismo

Visualizar notícia
Israel destrói rede de túneis do Hezbollah no sul do Líbano

Israel destrói rede de túneis do Hezbollah no sul do Líbano

Visualizar notícia
Nexus indica o candidato mais anti-Lula e anti-Bolsonaro

Nexus indica o candidato mais anti-Lula e anti-Bolsonaro

Visualizar notícia
Ninguém mais acredita na Justiça — e isso muda tudo

Ninguém mais acredita na Justiça — e isso muda tudo

Visualizar notícia
O inconfidente

O inconfidente

Visualizar notícia
O manual do eleitor sem dono

O manual do eleitor sem dono

Visualizar notícia
"O problema é os brasileiros não entenderem os seus atos"

"O problema é os brasileiros não entenderem os seus atos"

Visualizar notícia
O que Alessandro Vieira de fato disse sobre "grupo criminoso"

O que Alessandro Vieira de fato disse sobre "grupo criminoso"

Visualizar notícia

Tags relacionadas

Eleição de 2026

Flávio Bolsonaro

Lula

< Notícia Anterior

68% ainda não sabem quem governa Minas, aponta Quaest

28.04.2026 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
Próxima notícia >

Ninguém mais acredita na Justiça — e isso muda tudo

28.04.2026 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
author

Roberto Reis

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (1)

Otreblig50

2026-04-29 00:47:20

O ruim mesmo é quando a decisão se foca NO MENOS PIOR !!! Aí é que fica " DUREZA " !!!!


Torne-se um assinante para comentar

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (1)

Otreblig50

2026-04-29 00:47:20

O ruim mesmo é quando a decisão se foca NO MENOS PIOR !!! Aí é que fica " DUREZA " !!!!



Notícias relacionadas

Messias se posiciona como o ministro 'terrivelmente evangélico' de Lula

Messias se posiciona como o ministro 'terrivelmente evangélico' de Lula

Redação Crusoé
29.04.2026 10:58 3 minutos de leitura
Visualizar notícia
Justiça condena presidente do PSTU por racismo contra judeus

Justiça condena presidente do PSTU por racismo contra judeus

Redação Crusoé
29.04.2026 10:10 2 minutos de leitura
Visualizar notícia
PF erra em diagnóstico sobre terrorismo

PF erra em diagnóstico sobre terrorismo

Clarita Maia
29.04.2026 09:56 9 minutos de leitura
Visualizar notícia
Quaest aponta empate técnico entre ACM Neto e Jerônimo na Bahia

Quaest aponta empate técnico entre ACM Neto e Jerônimo na Bahia

Redação Crusoé
29.04.2026 09:10 2 minutos de leitura
Visualizar notícia

Variedades

Ver mais

Feriado altera data de pagamento: saiba o prazo limite segundo a legislação

Feriado altera data de pagamento: saiba o prazo limite segundo a legislação

Visualizar notícia
Governo define nova regra e restringe pedidos de aposentadoria, pensão e BPC

Governo define nova regra e restringe pedidos de aposentadoria, pensão e BPC

Visualizar notícia
Motoristas podem solicitar devolução de valor pago em multas de pedágio “free flow”

Motoristas podem solicitar devolução de valor pago em multas de pedágio “free flow”

Visualizar notícia
Proposta que revoluciona a forma de cobrança do IPVA levará em conta peso e valor da FIPE do veículo

Proposta que revoluciona a forma de cobrança do IPVA levará em conta peso e valor da FIPE do veículo

Visualizar notícia
Motoristas ganham maior prazo para regularizar multas em pedágios “free flow”

Motoristas ganham maior prazo para regularizar multas em pedágios “free flow”

Visualizar notícia
Recorde próximo: Mega-Sena acumula e pagará o segundo maior prêmio de 2026

Recorde próximo: Mega-Sena acumula e pagará o segundo maior prêmio de 2026

Visualizar notícia

Crusoé
o antagonista
Facebook Twitter Instagram

Acervo Edição diária Edição Semanal

Redação SP

Av Paulista, 777 4º andar cj 41
Bela Vista, São Paulo-SP
CEP: 01311-914

Acervo Edição diária

Edição Semanal

Facebook Twitter Instagram

Assine nossa newsletter

Inscreva-se e receba o conteúdo de Crusoé em primeira mão

Crusoé, 2026,
Todos os direitos reservados
Com inteligência e tecnologia:
Object1ve - Marketing Solution
Quem somos Princípios Editoriais Assine Política de privacidade Termos de uso