Os "candidatos do Nikolas"
Deputada estadual de Santa Catarina, Ana Campagnolo confirma estratégia do deputado federal mineiro de apoiar candidaturas em outros estados
Apoiadores da família Bolsonaro fazem circular nas redes sociais em tom de desconfiança vídeo em que a deputada estadual de Santa Catarina Ana Campagnolo (PL) se diz uma dos "candidatos do Nikolas", em referência ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG, à direita na foto, com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto).
A deputada responde a pergunta de um seguidor na gravação, publicada em story do Instagram:
"Sim, muito legal. O Nikolas está selecionando pessoas que ele considera de confiança e com habilidade para fazer um trabalho sério e a longo prazo, principalmente jovens. A iniciativa dele é maravilhosa. E não, não vou lançar os meus próprios candidatos, porque os meus candidatos serão os candidatos do Nikolas. Então, nós temos, no Paraná, o Paulo Melo, que é nosso deputado estadual. Eu sou a candidata do Nikolas aqui em Santa Catarina. Nós vamos ter candidatos estadual e federal em todos os estados. E a lista que o Nikolas apresentar vai ser a mesma que eu vou apoiar, com certeza. É uma excelente iniciativa."
Campagnolo deve tentar a reeleição neste ano.
O jornal O Globo já tinha revelado, no início de março, a estratégia de Nikolas para ampliar sua influência na direita. A vereadora de Juiz de Fora (MG) Roberta Lopes (PL), por exemplo. vai concorrer a uma vaga de deputada estadual em Minas Gerais como “a candidata de Nikolas e Bolsonaro em Juiz de Fora”.
Também fazem parte desse time de Nikolas, além de Campagnolo, os vereadores de São Paulo Lucas Pavanato (PL), de Fortaleza Carmelo Neto (PL) e do Recife Thiago Medina (PL).
Incômodo
O protagonismo de Nikolas é motivo de incômodo para os bolsonaristas há tempo, e o deputado cassado Eduardo Bolsonaro já fez críticas públicas ao deputado mineiro mais de uma vez por conta do que considera falta de apoio à família.
Acusado de não apoiar o projeto presidencial dos Bolsonaros, Nikolas se impôs, contudo, quando liderou uma caminhada de Minas a Brasília em janeiro, numa demonstração de prestígio popular e autonomia em relação à família do ex-presidente.
Além disso, o deputado não topou se candidatar ao governo de Minas para dar palanque ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se apresenta como candidato a presidente, e estaria bloqueando a filiação do senador Cleitinho (Republicanos-MG) ao PL.
Cleitinho é o favorito nas pesquisas de intenção de voto ao governo de Minas, mas não tem a confiança de Nikolas, que estaria travando sua entrada no partido para ser o candidato bolsonarista neste ano.
Junto com Campagnolo, que liderou a oposição à candidatura do ex-vereador Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina, Nikolas é hoje um dos maiores incômodos entre aqueles que pretendem ver a família Bolsonaro monopolizando a direita no Brasil.
Leia mais: Quem segura Nikolas?
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