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Diários

Uma carta do presidente do Irã ao "povo dos EUA"

Pezeshkian diz que país age em legítima defesa e acusa Trump de agir sob influência de Israel

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João Pedro Farah
3 minutos de leitura 01.04.2026 17:20 comentários 0
Uma carta do presidente do Irã ao "povo dos EUA"
Foto: reprodução
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O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian (foto), divulgou uma carta ao "povo dos Estados Unidos da América" nesta quarta-feira, 1º.

O documento foi publicado em sua conta oficial no X horas antes do presidente Donald Trump se dirigir ao público em pronunciamento nacional.

"Irã nunca iniciou a guerra. Nós bravamente repelimos aqueles que nos atacaram. O povo iraniano não nutre nenhuma inimizade contra outra nação, incluindo o povo da América, Europa e países vizinhos. Mesmo diante de repetidas intervenções e pressões estrangeiras ao longo de sua história de orgulho, os iranianos sempre fizeram uma distinção clara entre governos e os povos que governam. Este é um princípio profundamente enraizado na cultura e na consciência coletiva iraniana — não uma posição política temporária", diz trecho.

Pezeshkian afirma ainda que retratar o Irã como uma ameaça “não condiz com os fatos observáveis da atualidade” e critica a presença militar americana na região.

"Dentro desse mesmo contexto, os Estados Unidos concentraram a maior parte de suas forças, bases e capacidades militares ao redor do Irã — um país que, pelo menos desde a fundação dos Estados Unidos, jamais iniciou uma guerra. As recentes agressões americanas lançadas a partir dessas mesmas bases demonstraram o quão ameaçadora é, de fato, tal presença militar. Naturalmente, nenhum país confrontado com tais condições deixaria de fortalecer suas capacidades defensivas."

Segundo o presidente, o Irã tem adotado uma "resposta ponderada, fundamentada na legítima defesa".

Crime de guerra

Na carta, Pezeshkian também acusou os Estados Unidos de cometerem “crimes de guerra” ao atacar infraestrutura estratégica iraniana, como instalações industriais e de energia.

"Atacar a infraestrutura vital do Irã — incluindo instalações industriais e de energia — atinge diretamente o povo iraniano. Além de constituir um crime de guerra, tais ações acarretam consequências que se estendem muito além das fronteiras do Irã.

Elas geram instabilidade, aumentam os custos humanos e econômicos e perpetuam ciclos de tensão, semeando ressentimentos que perdurarão por anos. Isso não é uma demonstração de força; é um sinal de perplexidade estratégica e de incapacidade de alcançar uma solução sustentável."

"America First"

O presidente iraniano também fez referência ao slogan “America First”, utilizado por Donald Trump, para sugerir que os Estados Unidos estariam sendo influenciados por Israel no conflito.

“Não é evidente que Israel pretende lutar contra o Irã até o último soldado americano e o último dólar do contribuinte?”, questionou.

"Será que "América Primeiro" está realmente entre as prioridades do governo dos EUA hoje em dia?", continuou.

Pezeshkian concluiu a carta afirmando que o mundo está em uma "encruzilhada".

"Hoje, o mundo se encontra numa encruzilhada. Seguir o caminho do confronto é mais custoso e inútil do que nunca. A escolha entre confronto e diálogo é real e crucial; seu resultado moldará o futuro das próximas gerações. Ao longo de seus milênios de história gloriosa, o Irã sobreviveu a muitos agressores. Tudo o que resta deles são nomes manchados na história, enquanto o Irã perdura — resiliente, digno e orgulhoso."

Cessar-fogo

Mais cedo, Trump havia afirmado que o "novo presidente do regime do Ira" teria proposto um cessar-fogo.

Em seguida, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano negou categoricamente a afirmação.

Ou seja, neste momento, não há clareza sobre prazos nem sobre os próximos passos do conflito.

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