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    Diários

    O perigo iraniano na Venezuela pós-Maduro

    Relatório alerta para a presença militar iraniana e risco de ataques na América Latina

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    João Pedro Farah
    5 minutos de leitura 20.01.2026 15:20 comentários 0
    Colectivos Venezuela carteirinha
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    O Center for a Secure Free Society (SFS) publicou um relatório sobre a capacidade militar iraniana na Venezuela e o risco que representa no período após a captura do ditador Nicolás Maduro.

    Segundo o documento, nos últimos anos o Irã transferiu mísseis antinavio, lanchas de ataque rápido e munições de ataque de precisão para a Venezuela.

    O jornalista Leonardo Coutinho, diretor do SFS, destacou que os drones iranianos da classe Mohjaer têm alcance de chegar até a Flórida, nos EUA.

    O relatório também alerta que esse arsenal pode cair nas mãos de organizações terroristas e narcotraficantes, aumentando os riscos de ataques na região.

    "Esses drones, se acionados, têm alcance de chegar até a Flórida. São drones com boa capacidade de voo e se esses drones forem vendidos, contrabandeados para grupos como FARC… Há relatos de que há drones com menos eficiência do que os Mohjaer nas mãos desses grupos como o ELN. Se esse equipamento sai do controle, abre brecha para risco de ataques terroristas e assimétricos, como a gente chama, que são ataques de atores não-estatais podendo dar origem a conflitos locais“, afirmou ao Papo Antagonista da última sexta, 16.

    Capacidades

    As armas já montadas foram integradas às operações militares iranianas.

    O relatório aponta que o armamento também pode ser usado por partidários de Maduro que buscam sabotar a transição liderada por Delcy Rodríguez.

    "As evidências demonstram que o Irã não se limitou a vender armas para a Venezuela; transferiu tecnologia, estabeleceu instalações de produção e manutenção, incorporou pessoal técnico e exportou sua doutrina de guerra assimétrica. O resultado é uma capacidade autossustentável que sobreviverá ao regime de Maduro, a menos que seja ativamente desmantelada como parte do processo de transição", diz trecho do documento.

    Aliança Chávez-Khamenei

    A cooperação militar começou durante o governo de Hugo Chávez, permitindo ao Irã exercer influência no Hemisfério Ocidental.

    Em 2012, Chávez reconheceu publicamente que drones eram produzidos com assistência iraniana, russa e chinesa.

    A parceria englobava cooperação econômica e tecnológica e, ao mesmo tempo, uma cobertura política e administrativa para fluxos de pessoas, equipamentos e recursos.

    Infraestruturas-chave, como o corredor aéreo Caracas-Damasco-Teerã, conhecido como "Aeroterror", foram estabelecidas nesse período.

    "A expansão da presença diplomática e comercial iraniana, incluindo pessoal da embaixada com formação técnica e militar, o estabelecimento de joint ventures e acordos de cooperação que obscureciam a transferência de tecnologia militar e a criação de instalações de produção na CAVIM para a montagem de UAVs", afirma.

    Maduro

    Com o colapso econômico venezuelano, a dependência de combustível e assistência técnica iraniana aumento.

    O cenário também obrigava assistência técnica e mecanismos de evasão de sanções.

    A reeleição contestada de Maduro em 2018 intensificou a aproximação do país com Irã, Rússia e China.

    O fim dos embargos de armas da ONU contra o Irã (armas convencionais em 2020 e mísseis em 2023) removeu restrições legais à transferência de tecnologia e armamentos.

    Mohjaer-6

    O Mohajer-6 é o UAV de combate mais avançado exportado pelo Irã tem autonomia de 12 horas e alcance de 2.400km.

    O armamento tem capacidade para transportar quatro munições guiadas de precisão.

    Imagens e vídeos recentes confirmam que esses drones já operam na base El Libertador, demonstrando capacidade operacional real em inteligência, vigilância, reconhecimento e ataque.

    Além disso, antenas de telecomunicações instaladas em 2020 em bases ao longo da fronteira com a Colômbia provavelmente dão suporte a redes de controle de drones para operações táticas em regiões fronteiriças.

    "Colectivos"

    A Venezuela incorporou conceitos iranianos de guerra assimétrica, incluindo: táticas de enxame com lanchas rápidas e drones, defesa em camadas, ataques relâmpago e uso de força por procuração.

    Os "colectivos", grupos armados de motociclistas, passaram a transitar pelas ruas com objetivo de intimidade e controlar a população.

    O mesmo método foi exportado do Irã para a Síria, Líbano, Iraque, Iêmen e Gaza.

    Transição

    Segundo o relatório, as sanções do Tesouro americano não eliminma as armas já entregues, montadas e operacionais.

    "Qualquer transição política na Venezuela deve abordar essas capacidades iranianas. A omissão nesse sentido acarreta múltiplos riscos críticos", diz.

    A transição da Venezuela passa pelo desmantelamento das armas, inspeção e verificação internacional e monitoramento frequente dos depósitos ocultos.

    O documento conclui que omitir essas medidas aumenta múltiplos riscos críticos para a Venezuela e a região.

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