A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) comunicou, nesta semana, que acompanha o surto de ebola na República Democrática do Congo e em Uganda. O SBI informou estar preocupado com a situação, classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma emergência de saúde pública de nível internacional.
No entanto, de acordo com a SBI, a preocupação não é o risco de pandemia, mas sim a gravidade da situação nos países africanos, o que reforça a necessidade de coordenação global.
Risco de pandemia
O risco de uma pandemia de Ebola no Brasil é considerado muito baixo por especialistas e autoridades sanitárias, apesar do alerta da OMS sobre o surto em países africanos.
Segundo o alerta, o surto é causado por uma nova e rara cepa do vírus, a Bundibugyo, que, apesar de ter sido classificada como emergência de saúde pública de importância internacional, não significa uma pandemia em curso.
O principal motivo do baixo risco no Brasil é a forma de transmissão do vírus, que ocorre apenas por contato direto com fluidos corporais (como sangue e secreções) de pessoas já sintomáticas e não se espalha pelo ar.
Para os especialistas da SBI, a possibilidade de circulação da doença no Brasil é teórica e estaria ligada apenas à viagem internacional de uma pessoa infectada durante o período de sintomas. No entanto, os países com surtos possuem estrutura para vigilância ativa em aeroportos e para isolamento de casos suspeitos.
Por que a preocupação?
Apesar do baixo risco de a doença chegar ao Brasil com potencial pandêmico, a SBI destaca que a principal apreensão é a ausência de vacina ou de tratamento para essa cepa. Além disso, os principais focos do vírus estão em locais com baixa assistência, conflitos e alta mobilidade populacional.
Esses fatores dificultam a notificação de novos casos e também contribuem para o contágio entre os agentes de saúde que atuam na região. Segundo a OMS, 246 casos são investigados nos países africanos, além disso, 80 mortes também são investigadas como causadas pela doença, incluindo quatro mortes de profissionais da saúde.
O que é a ebola?
Ébola, oficialmente conhecida como Doença pelo Vírus Ebola (DVE), é uma doença infecciosa grave e frequentemente fatal em humanos. A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados, como sangue, saliva, suor, vômito, urina e sêmen. No entanto, não se transmite pelo ar.
De acordo com especialistas, o vírus ganhou força na África porque as regiões mais afetadas têm baixa assistência e estrutura sanitária, o que favorece sua proliferação por meio da contaminação da água.
O surto atual de 2026 é causado pela cepa Bundibugyo, uma variante rara do vírus Ebola que não era vista há mais de uma década. Diferentemente da cepa Zaire, que foi a principal causadora do último surto da doença e para a qual existem vacinas, não há vacinas licenciadas nem medicamentos específicos contra a cepa Bundibugyo.
Para as autoridades sanitárias, isso representa um grande desafio no controle do surto, pois o tratamento se limita a cuidados de suporte, como a hidratação e o controle dos sintomas.
Os sintomas do Ebola causados pela cepa Bundibugyo são semelhantes aos de outras cepas, mas com evolução mais rápida e potencial para formas graves. Eles geralmente aparecem entre 2 e 21 dias após a infecção.
Os principais sintomas incluem:
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Febre alta e repentina
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Dores musculares intensas
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Fadiga extrema e fraqueza
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Dor de cabeça e dor de garganta





