Grandes redes do varejo brasileiro estão trocando a escala 6×1 pelo modelo 5×2 antes mesmo de o Congresso votar a mudança na legislação. A RD Saúde, dona das farmácias Drogasil e Droga Raia, foi a primeira grande rede do setor a anunciar a transição completa: a nova escala já está em vigor nas mais de 3.500 lojas do grupo no Brasil.
A mudança começou no segundo semestre de 2025 e alcançou todos os funcionários, não apenas os cargos de liderança e farmacêuticos que foram os primeiros a adotá-la.
Na prática, o trabalhador passa a ter dois dias de folga por semana em vez de um. A carga horária semanal de 44 horas foi mantida, em acordo com a legislação trabalhista vigente.
A empresa afirma que não registrou aumento nos custos operacionais com a mudança e que o novo modelo tornou as vagas mais disputadas em um setor que enfrenta dificuldade para atrair e reter profissionais.
Quem mais está mudando
Após a repercussão da decisão da RD Saúde, outras redes anunciaram movimentos semelhantes. O Grupo Supernosso, de Minas Gerais, testou o modelo em três lojas com 500 funcionários e planeja expandir para todos os 4.800 no segundo semestre de 2026.
O Supermercados BH adotou uma solução diferente: fechou as lojas aos domingos, tornando o dia uma folga fixa para toda a equipe.
No Espírito Santo, a rede Extrabom conduz um projeto piloto em três filiais. A rede paulista Revolução confirmou uma transição gradual. A Pague Menos, com 8.000 trabalhadores em 39 lojas, já colocou parte dos funcionários na escala 5×2 e deve ampliar o modelo em 2026.
As mais de 1.600 lojas das Drogarias Pacheco e Drogaria São Paulo também fizeram a migração ao longo de 2025.
Por que as empresas estão antecipando a mudança
O setor de supermercados registrou 350 mil vagas não preenchidas em 2025, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras).
A escala 6×1 é apontada como um dos fatores que afastam candidatos das vagas disponíveis. Empresas que adotaram o modelo 5×2 relataram aumento imediato no interesse por vagas abertas e queda na rotatividade.
O risco financeiro de uma mudança mais ampla preocupa o setor. Antônio Carlos Pipponzi, conselheiro da RD Saúde e presidente do conselho do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), alerta que a aprovação da PEC que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas poderia elevar os custos operacionais em 15% a 20% no varejo.
A PEC já foi aprovada pela Câmara em dois turnos e segue para análise do Senado, sem data de votação definida.




