O governo de Javier Milei, presidente da Argentina, foi alvo de um protesto de milhares de estudantes e professores universitários nesta semana. A manifestação aconteceu após o governo argentino anunciar cortes na educação e na saúde. Intitulada “Marcha Federal Universitária“, a manifestação foi organizada pelo Conselho Interuniversitário Nacional.
Segundo informações da imprensa argentina, os manifestantes reivindicam reversão dos cortes e a aplicação de uma lei de financiamento que obriga o governo a garantir recursos atualizados pela inflação para as universidades argentinas.
Por que esses protestos estão acontecendo?
Segundo informações de veículos de imprensa locais, a manifestação foi causada por dois motivos principais: os cortes na educação e a falta de cumprimento de uma legislação que obriga o governo a repassar recursos para universidades.
O primeiro caso foi o anúncio de novos cortes orçamentários nas áreas de educação e saúde neste mês. Essas medidas são parte da política de equilíbrio fiscal de Milei e foram a principal motivação para a marcha universitária.
O segundo caso foi sobre uma lei de financiamento aprovada pelo Congresso argentino em 2025 que obriga o governo a repassar recursos essenciais para o desenvolvimento das universidades do país. Essa lei chegou a ser vetada por Milei, mas o Congresso derrubou o veto. No entanto, o presidente argentino não estaria autorizando os repasses.
Devido aos cortes somados à falta dos repasses previstos em lei, os manifestantes se reuniram em uma marcha com o tema “Milei, cumpra a lei”.
Situação das universidades na Argentina
Segundo especialistas, o cenário financeiro das universidades segue um estado preocupante na Argentina desde que Milei foi eleito. De acordo com membros do setor, desde a posse de Milei em dezembro de 2023, o financiamento das universidades públicas caiu 45,6%, e os salários dos professores perderam em média 33,7% do poder de compra.
Devido a essa queda, o país vem sofrendo com um efeito de “fuga de cérebros“, com mais de 10 mil docentes e pesquisadores argentinos que saíram do setor público em busca de melhores condições no setor privado ou em outros países.
A situação precária das universidades vem gerando insatisfação em diversos membros do setor ao longo dos anos. Inclusive, o protesto realizado nesta semana já é o quarto da categoria desde 2023, quando Milei foi empossado como presidente.




