Guardar a toalha de mão pendurada na parede do banheiro, logo atrás ou ao lado do vaso sanitário, é um hábito tão comum que quase ninguém questiona. O problema é que, cada vez que a descarga é acionada, esse pano que você usa para secar as mãos pode estar sendo contaminado por partículas invisíveis de fezes e urina.
O fenômeno tem nome: pluma do vaso sanitário. Isso se trata de um aerossol de gotículas microscópicas liberadas no ar durante a descarga. Pesquisas mostram que esse jato pode atingir até 1,5 metro de altura em apenas oito segundos, espalhando micropartículas por boa parte do ambiente.
As gotículas maiores se depositam rapidamente em superfícies próximas, como a tampa do vaso, o chão e objetos em cima do tanque. As menores, com menos de 5 micrômetros, ficam suspensas no ar por vários minutos e se deslocam pelas correntes de ar do cômodo. Toalhas penduradas perto do vaso ficam diretamente no caminho dessas partículas.
Um dos primeiros estudos sobre o tema, conduzido por Charles P. Gerba, mostrou que as bactérias liberadas pela descarga permanecem viáveis no ar por pelo menos quatro a seis horas após o acionamento. Isso significa que o simples ato de dar descarga pode contaminar superfícies durante horas sem que ninguém perceba.
Toalha perto do vaso é toalha contaminada
O risco não se limita a banheiros sujos. Um experimento realizado com apenas água, sem nenhuma matéria orgânica, já registrou um aumento de quase 190% na contagem de bactérias em uma placa colocada a 60 centímetros do vaso após a descarga. Até a placa mais distante, a 120 centímetros, registrou crescimento bacteriano.
Entre os agentes que podem ser dispersos pela pluma estão o Clostridium difficile, responsável por infecções intestinais graves, a Salmonella e até o vírus causador da covid-19. Pesquisas epidemiológicas também associaram a transmissão do norovírus em navios e aviões a banheiros com vasos sanitários contaminados e sem ventilação adequada.
Fechar a tampa resolve?
Essa é uma das dúvidas mais comuns e, segundo os especialistas, resolve parcialmente. Estudos indicam que fechar a tampa antes de dar a descarga pode reduzir a dispersão das gotículas maiores, mas não elimina a contaminação. O chão e as paredes continuam sendo atingidos independentemente da posição da tampa.
O professor Charles Gerba, virologista da Universidade do Arizona e uma das maiores referências no tema, é direto: fechar a tampa não tem impacto significativo na contenção de partículas virais. Segundo ele, a desinfecção regular do vaso é muito mais eficaz do que qualquer posicionamento da tampa.
No caso, a melhor (e mais simples) solução é mudar a toalha de lugar. Ela deve ficar próxima à pia, o mais distante possível do vaso sanitário. Além disso, trocar e lavar as toalhas de mão com frequência, usar desinfetante no interior do vaso antes de acionar a descarga e manter o banheiro bem ventilado são medidas que reduzem consideravelmente a contaminação.
Além disso, limpar o vaso de forma rotineira também pode ajudar. Pesquisadores da Universidade do Arizona apontaram que limpar o vaso com desinfetante e escova reduziu a contaminação viral na superfície em mais de 99,99%.





