O pedido foi apresentado nesta quinta-feira, 23, depois de o Superior Tribunal de Justiça (STJ) conceder habeas corpus e derrubar as prisões temporárias decretadas no caso.
A investigação apura a atuação de um grupo suspeito de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão em um esquema de lavagem de dinheiro.
Segundo a Polícia Federal, o núcleo sob apuração teria usado bets ilegais, rifas clandestinas, tráfico internacional de drogas, empresas de fachada, laranjas, criptomoedas e remessas ao exterior para ocultar a origem dos valores.
STJ & habeas corpus
O ministro Messod Azulay Neto, relator do caso, entendeu que o decreto de prisão temporária por 30 dias era ilegal porque, segundo o processo, a própria Polícia Federal havia pedido cinco dias de custódia. Como esse prazo já tinha se esgotado, o habeas corpus determinou a soltura dos investigados na mesma situação.
Com isso, a discussão mudou de eixo. Em vez de defender a manutenção da prisão temporária, a PF passou a sustentar que o avanço da apuração já permite a adoção de uma medida mais dura e sem prazo determinado, desde que autorizada pela Justiça.
O que a Polícia Federal alega agora
No novo pedido, a PF afirma que a análise do material apreendido, entre ele dispositivos eletrônicos, documentos e registros financeiros, reforçou a necessidade de converter a medida em prisão preventiva.
A corporação argumenta que a providência seria necessária para garantir a ordem pública, diante da gravidade do caso e do volume de recursos movimentados.
Além disso, a PF diz ver risco de continuidade das atividades criminosas, possibilidade de destruição de provas e chance de alinhamento de versões entre os investigados. Esses pontos sustentam o pedido de prisão preventiva, que ainda depende de decisão judicial.
O que dizem as defesas
A defesa de MC Ryan SP reagiu ao novo movimento da Polícia Federal.
Em manifestação nas redes sociais, os advogados afirmaram que o pedido causa “perplexidade” e chamaram a medida de “manifestamente extemporânea”. Na mesma nota, a defesa questionou por que a prisão preventiva não havia sido requerida antes, caso os requisitos já estivessem presentes.
Segundo o advogado Felipe Cassimiro, que representa o cantor, o habeas corpus reconheceu a ilegalidade das prisões na operação e, por isso, a consequência jurídica natural seria a revogação da custódia.
Como o caso chegou até aqui
A Operação Narco Fluxo foi deflagrada em 15 de abril como desdobramento de outras apurações da Polícia Federal. De acordo com a investigação, o ponto de partida foi a análise de arquivos mantidos em nuvem e ligados ao contador apontado como operador financeiro do grupo.
A partir daí, a PF passou a rastrear a circulação de dinheiro e a suposta conexão com apostas ilegais, rifas e outras frentes de lavagem. O caso segue em aberto.



