Todos nós crescemos alguém que lavava a louça enquanto a panela ainda estava no fogo, ou que limpava a bancada antes mesmo de terminar de cortar os ingredientes. Esse comportamento, que para alguns parece exagero e para outros é só organização. A psicologia, no entanto, tem uma explicação para essas pessoas “multitarefa“
Pesquisas na área da neurociência apontam que ambientes desorganizados sobrecarregam o cérebro. Quando o entorno está cheio de estímulos visuais simultâneos, o cérebro gasta mais energia tentando filtrar o que é relevante. Manter a cozinha organizada durante o preparo da comida, portanto, pode tornar a atividade mais fluida e menos cansativa.
Desorganização = estresse
Além do impacto cognitivo, a desordem também tem relação com o estresse. Estudos feitos em ambientes domésticos mostraram que pessoas que percebem a própria casa como bagunçada tendem a apresentar níveis mais elevados de cortisol, que é o hormônio ligado à resposta ao estresse.
Ou seja, limpar enquanto cozinha pode funcionar como uma estratégia para manter o ambiente sob controle e, com isso, reduzir a tensão durante uma atividade que já exige atenção dividida.
Dentro da psicologia da personalidade, esse comportamento se relaciona com um dos traços do modelo conhecido como os “Cinco Grandes“: a responsividade. Pessoas com esse traço bem desenvolvido tendem a ser organizadas, planejadas e a resolver as coisas de forma imediata, sem deixar acumular.
Faz sentido, então, que quem tem esse perfil prefira limpar no mesmo ritmo em que cozinha, em vez de deixar tudo para depois.
O “porém” dos especialistas
No entanto, os psicólogos fazem uma ressalva sobre isso. O hábito isolado de limpar enquanto cozinha não traça o perfil psicológico completo de uma pessoa. Esse costume é visto apenas como um traço, um indicativo. O comportamento pode variar por conta de rotinas aprendidas na infância, cultura familiar, disponibilidade de tempo e simplesmente preferência pessoal.
Limpar enquanto cozinha pode indicar tendências organizacionais, mas não é, por si só, um indicador definitivo do caráter de uma pessoa.




