As operadoras de planos de saúde e administradoras de benefícios registraram um lucro líquido consolidado de R$ 6,3 bilhões no primeiro trimestre de 2026. O dado, divulgado nesta semana pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), representa o segundo maior resultado para o período de janeiro a março desde o início da série histórica, em 2018.
De acordo com o comunicado da ANS, o segmento médico-hospitalar, principal fatia do mercado, foi responsável pela maior parte do resultado, com lucro de R$ 6 bilhões. Apesar do volume expressivo, houve queda de 12,3% na rentabilidade desse segmento frente ao ano anterior.
Contas médicas, exames e internações afetam as receitas
Um dos pontos de atenção no balanço do primeiro trimestre foi o aumento da chamada “sinistralidade“, indicador que mede a proporção da receita destinada ao pagamento de contas médicas, exames e internações. O índice subiu para 81%, um acréscimo de 1,8 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre de 2025.
Na prática, isso significa que, de cada R$ 100 arrecadados com mensalidades, R$ 81 foram utilizados para custear a assistência à saúde dos beneficiários. Embora represente um aumento, a ANS destaca que este ainda é o segundo menor nível de sinistralidade registrado desde 2020, sugerindo que as margens das operadoras permanecem saudáveis, ainda que sob maior pressão de custos assistenciais.
No entanto, a ANS também destaca que o resultado operacional puro, desconsiderando os ganhos financeiros, foi de R$ 3,4 bilhões no segmento médico-hospitalar, uma queda de 22% em relação ao ano passado.
Mercado financeiro ajuda na lucratividade
Em um cenário de juros elevados, especialistas afirmam que as aplicações financeiras são um pilar fundamental para a lucratividade do setor. As operadoras médico-hospitalares mantinham, ao fim de março de 2026, um total de R$ 140,5 bilhões aplicados no mercado financeiro.
O resultado financeiro do setor no trimestre atingiu R$ 3,6 bilhões, repetindo o maior patamar da série histórica em termos nominais. Analistas apontam que, sem esse aporte proveniente das aplicações financeiras, o lucro líquido das operadoras seria menor.
Panorama do setor
O setor de saúde suplementar segue em expansão em termos de base de clientes. Ao todo, o país conta com quase 53 milhões de beneficiários de planos de saúde e 16,1 milhões de planos odontológicos no primeiro trimestre de 2026. As receitas totais do setor somaram R$ 101 bilhões no período.
Do total de operadoras monitoradas, 77,7% (604 entidades) encerraram o trimestre com resultado líquido positivo, mantendo o mesmo patamar de lucratividade ampla observado no ano anterior.



