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O que cientistas encontraram debaixo do gelo na Antártida pode mudar o que sabemos sobre o planeta

Por Milena Armando
19/02/2026
Em Geral
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O que cientistas encontraram debaixo do gelo na Antártida pode mudar o que sabemos sobre o planeta

Reprodução: Pexels/ Simon Berger

Uma expedição científica internacional realizou uma perfuração sem precedentes na Antártida, escavando em profundidades nunca antes alcançadas sob a camada de gelo. 

Durante esse projeto, realizado na Elevação de Gelo de Crary, a aproximadamente 700 km de uma base logística, os pesquisadores recuperaram um núcleo de sedimentos de 228 metros de comprimento. 

Esse material promete fornecer até 23 milhões de anos de dados climáticos, que podem prever a resposta da camada de gelo às mudanças climáticas globais.

Perfuração recorde

Cientistas de diversas partes do mundo colaboraram para superar as expectativas dessa missão, perfurando 523 metros de gelo sólido para extrair os sedimentos. 

A equipe buscava amostras que atuassem como uma “cápsula do tempo”, oferecendo um registro preciso das condições climáticas ao longo de milhões de anos.

Os núcleos de sedimentos obtidos contêm evidências valiosas de períodos históricos em que a Terra estava mais quente do que hoje, que é essencial para aprimorar a precisão das previsões sobre o derretimento futuro do gelo. 

A Antártida Ocidental tem gelo suficiente para elevar o nível do mar até cinco metros caso derreta. Compreender as variações climáticas passadas é vital para antecipar as consequências do aquecimento global.

Analisando os sedimentos

Durante a escavação, os cientistas encontraram diversas camadas de sedimentos, incluindo lamas e cascalhos, cada uma indicando variações ambientais do passado. 

Fragmentos de conchas e resíduos de organismos marinhos foram identificados, sugerindo que a região estava periodicamente livre de gelo e exposta aos oceanos abertos. Essas descobertas alimentam a teoria de que as plataformas de gelo recuaram significativamente em períodos quentes.

Desafios ao longo da expedição

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A expedição enfrentou obstáculos. Múltiplas tentativas foram necessárias para recuperar o núcleo de sedimento em meio a condições climáticas adversas, exigindo equipamento especializado e logística meticulosa. 

Mais de 1.100 km de gelo foram percorridos para montar a infraestrutura necessária à perfuração. Apesar dos contratempos, os cientistas obtiveram dados valiosos sobre o impacto passado de variáveis como gases do efeito estufa no recuo do gelo.

O projeto é parte integrante do SWAIS2C, que procura compreender como a calota de gelo da Antártida Ocidental reage a um aumento de 2°C na temperatura média global. 

As investigações agora avançam em laboratórios mundiais para desvendar novas informações sobre a história climática do planeta.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Tags: Antártidasedimentos
Milena Armando

Milena Armando

Jornalista, redatora e revisora.

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