Algumas pessoas parecem ímãs para mosquitos, enquanto outras no mesmo ambiente quase não são incomodadas. A ciência explica que isso não acontece por acaso. Os insetos seguem uma sequência de sinais químicos, visuais e térmicos que tornam certos indivíduos alvos muito mais atraentes.
Cientistas apontam que esse processo começa com a detecção de dióxido de carbono liberado na respiração. Esse gás ativa o “modo de busca” do mosquito. Em seguida, o inseto usa a visão para identificar contrastes, como roupas escuras ou de cores chamativas. Quando chega perto, confirma a presença humana pelos odores da pele e pelo calor corporal.
Agora o que diferencia os “alvos normais” dos “ímãs de mosquito” é a assinatura química da pele. Pessoas que produzem maiores quantidades de ácidos carboxílicos na superfície cutânea atraem muito mais o inseto. Esses compostos, presentes no sebo que hidrata a pele, são metabolizados por bactérias naturais e geram um odor que funciona como um convite irresistível.
O que os estudos apontam
Estudos mostram que essa diferença é estável ao longo do tempo. Em experimentos controlados, voluntários com níveis elevados desses ácidos receberam até 100 vezes mais visitas de mosquitos em comparação com aqueles que produzem menos. A variação tem forte influência genética e também depende da composição da microbiota da pele.
Pesquisadores da Universidade Rockefeller, nos EUA, identificaram que indivíduos considerados “ímãs” liberam quantidades significativamente maiores de ácidos carboxílicos. Leslie Vosshall, uma das autoras do trabalho publicado na revista Cell, destacou a forte associação entre esses ácidos graxos e a atração dos insetos.
Outro estudo recente, publicado em março de 2026 na Science Advances pelo Instituto de Tecnologia da Geórgia, analisou mais de 20 milhões de trajetórias de voo de mosquitos. Os autores confirmam que os insetos integram múltiplos sinais para localizar humanos com precisão, o que explica por que algumas pessoas são picadas com muito mais frequência.
Outros fatores
Os estudos apontam que outras características podem afetar a atratividade de um humano para os mosquitos, seja por também afetar a produção de ácidos carboxílicos como também por outras características próprias que acabam atraindo os insetos. Segundo especialistas, fatores como quantidade de suor, temperatura corporal e até o tipo de bactérias presentes na pele ajudam a modular essa atratividade.
Algumas pesquisas também citam o tipo sanguíneo como um fator, mas o consenso na área é que o odor da pele seria o fator mais decisivo.
Motivo dos estudos e prevenções
Entender esses mecanismos abre caminho para soluções práticas. Especialistas apontam que mapear os compostos atrativos pode levar ao desenvolvimento de repelentes mais eficazes, armadilhas inteligentes e estratégias melhores de controle de vetores de doenças como dengue, zika e malária.
Por enquanto, quem se sente alvo fácil pode adotar medidas simples, como usar roupas claras e repelentes comprovados. A ciência já sabe o motivo, mas ainda trabalha em formas de reduzir essa preferência natural dos mosquitos.





