Embora o foco das pesquisas da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA) se volte para o que está além da Terra, os equipamentos avançados utilizados pela agência também possibilitam que segredos do planeta sejam revelados.
Inclusive, por conta de um de seus sofisticados sistemas de radar, cientistas da NASA conseguiram efetuar uma impressionante descoberta durante um sobrevoo de pesquisa sobre a Groenlândia realizado recentemente.
O equipamento revelou a existência de uma antiga base militar dos Estados Unidos, que de acordo com análises, havia sido construída durante a época da Guerra Fria, que ocorreu de 1947 a 1991.
A construção estava enterrada sob o gelo, a aproximadamente 30 metros de profundidade, e foi identificada pelo cientista Chad Green, que sobrevoava a região em um jato Gulfstream III junto a uma equipe de pesquisadores.
Conhecida como “Camp Century”, a base foi construída secretamente na Groenlândia como parte do “Projeto Iceworm”, e contava com uma complexa rede de túneis que abrigaria armas nucleares para atingir a União Soviética em caso de ataque.
Construção descoberta pela NASA foi erguida sem permissão
Estima-se que a “Camp Century” tenha sido inaugurada em meados de 1959, mas sua existência era cercada de mistérios, já que os Estados Unidos nunca solicitaram autorização formal à Dinamarca, que controla o território da Groenlândia, para construir a estrutura.
Ao perceber que o gelo da região era instável e não poderia sustentar as instalações por muito tempo, engenheiros alertaram sobre os problemas e a base acabou sendo desativada oficialmente em 1967, quase 60 anos antes da NASA reencontrá-la.
Descoberta desperta preocupações
Durante seu período de utilização, a Camp Century era alimentada por um reator nuclear portátil, que foi removido assim que a base foi desativada. Porém, isso não minimizou a preocupação de cientistas da NASA e outros especialistas.
Afinal, mesmo sem o equipamento, resíduos radioativos e outros materiais contaminantes permaneceram enterrados sob o gelo, que nos últimos anos, tem recuado por conta de fenômenos como as mudanças climáticas.
Embora profissionais como o cientista criosférico Alex Gardner, integrante da equipe da NASA, aleguem ainda não ser possível prever o comportamento da região diante do aumento das temperaturas, há o temor de que o degelo exponha estes resíduos, que podem causar um grande desastre ambiental.




