Desde 2016, cientistas de várias partes do mundo observam um grande fenômeno no Mar de Weddell, na Antártida. Trata-se de um buraco de gelo, conhecido como polínia, com tamanho comparável à Suíça.
Esse fenômeno, registrado como o maior em quatro décadas, atrai a atenção de pesquisadores que buscam entender as causas dessas aberturas no gelo. As análises iniciais sugerem que o buraco está relacionado a interações entre correntes oceânicas e possíveis mudanças climáticas.
Fenômeno comum com impacto notável
As polinias são aberturas naturais no gelo marinho, mas raramente atingem dimensões tão grandes. O caso de 2016, o maior em 40 anos, levantou preocupações sobre suas causas complexas e possíveis consequências.
Inicialmente, atribuiu-se o evento a anomalias oceânicas e tempestades fortes na área. Contudo, estudos aprofundados indicam que essas explicações são apenas parte do quadro.
Uma das explicações envolve o Giro de Weddell, uma corrente circular oceânica. Essa corrente transporta água salgada e quente das profundezas para a superfície, acelerando o derretimento do gelo marinho. Entretanto, para que a polínia permaneça aberta por períodos, outros fatores também devem estar presentes.
Correntes oceânicas e condições climáticas
O Giro de Weddell interage com a cordilheira submarina Maud Rise, promovendo uma mistura de águas de diferentes densidades. Essa dinâmica permite que águas quentes subam à superfície, mantendo a polínia aberta. Tempestades no inverno antártico, com ventos superiores a 100 km/h, também ajudam a misturar essas águas, contribuindo para a manutenção do buraco no gelo.
A ausência da cobertura de gelo provoca um aumento significativo na troca de calor entre o oceano e a atmosfera. Isso pode intensificar a absorção de dióxido de carbono, influenciando as temperaturas globais. Com a chegada da primavera antártica, esse processo se intensifica, resultando em um aquecimento mais pronunciado da superfície oceânica.
Pesquisas futuras
Apesar de as mudanças climáticas não serem a única causa das polinias, sua relação com o fenômeno não pode ser ignorada. A falta de gelo pode acelerar o aumento das temperaturas globais, evidenciando fraquezas nos sistemas climáticos. Esse fenômeno serve como um alerta para a importância de pesquisas contínuas na compreensão das alterações climáticas.
Pesquisadores coletam dados de satélites, navios e sensores marítimos para estudar os efeitos das polinias nas correntes oceânicas e no clima. Esses estudos são essenciais para prever e minimizar futuras consequências climáticas.




