A Shopee, uma das gigantes do varejo online e e-commerce, iniciou nesta semana uma reestruturação que resultou na demissão de aproximadamente 8% de sua força de trabalho de desenvolvedores globalmente. Ex-funcionários e analistas apontaram que a medida coincide com uma aceleração na adoção de ferramentas de inteligência artificial pela empresa.
Que reestruturação é essa?
De acordo com analistas, os cortes visam eliminar funções consideradas “redundantes” diante das novas capacidades de automação. Segundo fontes internas, algumas equipes tiveram reduções de até 15%, sem um anúncio formal para toda a empresa.
Em contrapartida, a multinacional inaugura Centro de Excelência em IA em Singapura. “A integração da IA em nossas operações é o veículo para alcançarmos uma avaliação de mercado de US$ 1 trilhão”, declarou Forrest Li, CEO da Sea Limited, empresa dona da Shopee.
Li comparou o momento atual às revoluções tecnológicas que vieram com os computadores desktop e os smartphones, alertando que a execução disciplinada será crucial para transformar a aposta tecnológica em valor de mercado.
Parceria com o Google
A estratégia da Shopee, segundo informações de bastidores, depende fortemente de uma colaboração ampliada com o Google, anunciada no início deste ano, para desenvolver “agentes de compras” e integrar ferramentas de nuvem avançadas.
No caso, o plano é que os agentes de IA atuem em duas frentes da loja: atendimento ao cliente e conversão de vendas. Além disso, os agentes também teriam o foco na redução de custos operacionais da loja.
Vale relembrar também que o Google vem “investindo pesado” em IA, sendo uma das empresas líderes no setor após apresentar o Gemini Spark, agente de IA autônomo que funciona 24 horas por dia, mesmo sem precisar de interação e prompts constantes do usuário.
Reações do público e expectativa para o futuro
Enquanto a Shopee reporta um lucro ajustado superior a US$ 220 milhões no primeiro trimestre, a transição causou reações no público e no mercado de trabalho. A empresa afirmou que fornecerá suporte aos afetados, oferecendo um pacote de indenização, mas não detalhou programas de recolocação.
Analistas de mercado observam que, embora a medida sinalize confiança na tecnologia, a execução em mercados diversos como o Sudeste Asiático e a América Latina apresenta riscos regulatórios e pode afetar a relação da empresa com funcionários existentes e futuros.



