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“Monstro” preto que está crescendo cada vez mais em Chernobyl começou a chamar a atenção dos cientistas

Por Milena Armando
07/12/2025
Em Geral
0
Chernobyl

Foto: VEJA

Os fungos radioativos de Chernobyl, particularmente o mofo preto, continuam intrigando cientistas. Descobertos em 1997 por Nelli Zhdanova, esses fungos desafiam as noções tradicionais de vida, prosperando em condições extremas de radiação.

Eles foram encontrados nas ruínas da central nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, um dos locais mais radioativos do mundo. Estudos sugerem que esses organismos podem utilizar a radiação de uma maneira que desafia o entendimento científico atual.

Como os fungos lidam com a radiação de Chernobyl?

Os fungos encontrados em Chernobyl chamam a atenção por suas altas concentrações de melanina, um pigmento também presente na pele humana. 

Esse pigmento parece atuar como um escudo, permitindo que os fungos suportem a radiação ionizante no ambiente. Entre eles, o Cladosporium sphaerospermum chama maior atenção pela sua abundância e resistência.

Inesperadamente, a exposição à radiação não apenas não prejudica o fungo, mas também pode estimular seu crescimento. Esse fenômeno sugere um possível uso da radiação como fonte de energia, uma hipótese ainda em investigação.

Radiossíntese: poderia a radiação servir como fonte de energia?

A ideia de que esses fungos realizem um processo semelhante à fotossíntese, o qual foi denominado radiossíntese, está sendo explorada. 

A hipótese é que a melanina nos fungos poderia converter radiação em energia metabolicamente útil, similar à maneira como a clorofila nas plantas converte a luz solar. 

Dados empíricos, como o crescimento em resposta direcionada a fontes radioativas, sugerem o conceito de radiotropismo. Contudo, mais pesquisas são necessárias para entender profundamente como a melanina está envolvida nesse aproveitamento energético.

Potencial de proteção contra radiação

Além da curiosidade científica, o estudo desses fungos têm implicações práticas e revolucionárias. A habilidade de sobreviver e prosperar em ambientes de alta radiação pode inspirar novas tecnologias de proteção radiológica para humanos. 

Em missões espaciais, onde a radiação cósmica representa um desafio, esses fungos poderiam ser usados para desenvolver escudos biológicos que protejam astronautas e equipamentos. 

Aplicações potenciais na Terra além de Chernobyl

Na Terra, a capacidade de converter radiação em energia útil tem implicações promissoras. Poderia ser usada na biorremediação, transformando a limpeza de locais contaminados por radiação em uma solução sustentável. 

Embora as pesquisas ainda estejam em andamento, cientistas acreditam que entender e aplicar a radiossíntese pode revolucionar a capacidade de proteger vidas humanas e ambientes naturais da radiação.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Tags: Chernobylfungo pretoradiossíntese
Milena Armando

Milena Armando

Jornalista, redatora e revisora.

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