Os avanços recentes da medicina estão transformando o cenário do tratamento contra o câncer. Segundo o oncologista Fernando Maluf, que concedeu uma entrevista ao Globo, doenças que até pouco tempo eram consideradas praticamente incuráveis hoje já apresentam possibilidades reais de cura, graças a novas abordagens terapêuticas.
De acordo com o especialista, a evolução é resultado direto do desenvolvimento de tecnologias mais precisas e tratamentos personalizados. Ele destacou que, atualmente, já é possível curar pacientes que, há cerca de dez anos, tinham prognósticos extremamente limitados.
Essa mudança reflete não apenas o avanço científico, mas também uma melhor compreensão da biologia dos tumores. Outro fator determinante é o diagnóstico mais precoce. Com exames mais modernos e acessíveis, inclusive com o auxílio de inteligência artificial no diagnóstico, muitos casos são identificados em estágios iniciais, o que aumenta significativamente as chances de sucesso no tratamento.
Medicina de precisão ganha protagonismo
Além disso, a medicina de precisão tem permitido terapias cada vez mais individualizadas. Isso significa que o tratamento é definido com base nas características genéticas do tumor e do próprio paciente, elevando a eficácia e reduzindo efeitos colaterais.
Desafios ainda persistem
Apesar do cenário otimista, o profissional alerta que nem todos os tipos de câncer apresentam o mesmo nível de avanço. Tumores mais agressivos, como o de pâncreas, ou diagnosticados tardiamente ainda representam um grande desafio para a medicina.
Mesmo assim, o panorama geral é de progresso consistente. A expectativa é que, com a continuidade das pesquisas e o acesso ampliado às novas tecnologias, o número de casos tratáveis, e até curáveis, continue crescendo nos próximos anos.
Brasil avança em estudos clínicos
De acordo com o médico, o Brasil tem ampliado sua relevância no cenário internacional da oncologia, especialmente na condução de pesquisas clínicas capazes de influenciar práticas médicas em escala global. Grupos nacionais vêm liderando investigações inovadoras, incluindo estudos pioneiros que combinam diferentes abordagens terapêuticas, como o sobre o câncer de pênis chamado Hercules. Os resultados já impactam diretamente protocolos adotados em outros países.
Além disso, novas pesquisas em andamento indicam potencial para transformar tratamentos tradicionais e reduzir intervenções invasivas. Há estudos que buscam alternativas à retirada de órgãos em determinados tipos de câncer, preservando a qualidade de vida dos pacientes.





