O novo surto de ebola na República Democrática do Congo e em Uganda levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar emergência de saúde pública de importância internacional. Ainda assim, o episódio não reúne critérios para pandemia, segundo avaliação da própria entidade.
A infectologista Mirian Dal Ben, do Hospital Sírio-Libanês, também reforçou essa leitura em entrevista à CNN. Ela explicou que o risco de disseminação global permanece baixo, principalmente porque o ebola não se espalha como vírus respiratórios.
O que a OMS confirmou
Segundo a OMS, até 16 de maio, a República Democrática do Congo registrava oito casos confirmados em laboratório, 246 casos suspeitos e 80 mortes suspeitas na província de Ituri.
Uganda, por sua vez, confirmou dois casos importados. Ambos tinham ligação com viagens a partir da região congolesa afetada.
Além disso, a entidade demonstrou preocupação com mortes de profissionais de saúde e com a circulação do vírus em áreas urbanas ou semiurbanas. A investigação identificou a cepa Bundibugyo, que integra o grupo dos ortoebolavírus.
Por que não é pandemia
Em 22 de maio, a OMS informou que o Comitê de Emergência concordou com a classificação de emergência internacional. No entanto, o grupo não encontrou critérios para uma emergência pandêmica.
A análise levou em conta o alcance atual do surto, a forma de transmissão e a capacidade de resposta dos países afetados. Dessa forma, a entidade manteve o alerta, mas não elevou o caso ao nível de pandemia.
Mirian Dal Ben também explicou que o ebola exige contato direto com sangue, secreções, fluidos corporais ou objetos contaminados de pessoas doentes. Por isso, o padrão de transmissão difere do observado na covid-19, que se espalhava com mais facilidade pelo ar.
Risco exige vigilância
O cenário, no entanto, ainda exige resposta rápida. A OMS classificou o risco como muito alto na República Democrática do Congo e alto em Uganda.
Além disso, a entidade recomendou rastreamento de contatos, isolamento de casos confirmados, controle em fronteiras e reforço na comunicação com comunidades locais.
Para outros países, a principal orientação é manter vigilância e preparar respostas para possíveis casos importados. A OMS, porém, não recomenda triagem de entrada em aeroportos fora da região afetada.
Assim, o surto preocupa as autoridades de saúde, mas não indica uma pandemia mundial neste momento.





