Tim Cook, CEO da Apple, confirmou em entrevista ao The Wall Street Journal publicada em 17 de junho que aumentos nos preços de iPhones, Macs e iPads são “inevitáveis”. O motivo é a escassez global de chips de memória, causada pela corrida das empresas de inteligência artificial por componentes de armazenamento.
“Infelizmente, o aumento dos preços é inevitável”, disse Cook. “Estamos fazendo o possível para atenuar os fortes aumentos que nos são impostos e temos tentado proteger nossos clientes, mas a situação tornou-se insustentável.”
Cook descreveu o cenário como a pior oscilação de preços de componentes que presenciou em mais de 40 anos de carreira no setor de eletrônicos.
Por que os chips ficaram tão caros
A demanda por infraestrutura de inteligência artificial fez as grandes empresas de tecnologia disputarem a produção de memórias DRAM e NAND flash, os dois tipos de chip mais usados em smartphones. Fornecedores como Samsung, SK Hynix e Micron não conseguem abastecer todos os clientes ao mesmo tempo.
Segundo a consultoria TechInsights, os custos de memória e armazenamento do iPhone 17 Pro somam cerca de US$ 52. Para o iPhone 18 Pro, a estimativa já chega a US$ 196, quase quatro vezes mais.
A Counterpoint Research projeta alta de até 50% nos módulos de memória até o segundo trimestre de 2026. O CEO da Intel, Lip-Bu Tan, previu que não haverá alívio no fornecimento antes de 2028.
O impacto esperado nos preços
O Wall Street Journal estima que o iPhone 18 Pro custará US$ 1.299, contra os US$ 1.099 cobrados pelo iPhone 17 Pro. Isso representa US$ 200 de aumento, aproximadamente R$ 1.000 na cotação atual.
No Brasil, o quadro é mais grave. Um levantamento do Deutsche Bank mostrou que um iPhone é vendido aqui por R$ 6.850, equivalente a cerca de US$ 2.050, enquanto o mesmo modelo custa US$ 1.300 nos Estados Unidos. A diferença está na carga tributária: em fevereiro de 2026, o governo federal elevou o imposto de importação sobre celulares de 16% para 20%.
A Apple produz parte dos iPhones vendidos no Brasil na fábrica da Foxconn em Jundiaí, interior de São Paulo. Os modelos base das linhas iPhone 13 a 16 são montados no país para reduzir o impacto dos impostos de importação.



