A Havaianas virou um dos assuntos mais comentados das redes sociais neste fim de ano de 2025. Uma campanha publicitária com a atriz Fernanda Torres gerou forte reação de políticos e grupos de direita, que agora defendem um boicote contra a fabricante de chinelos. A polêmica é tão grande que muita gente começou a pesquisar sobre a situação financeira da empresa e quem está por trás do negócio.
Qual é a polêmica com a Havaianas?
Neste último domingo (21), políticos e influenciadores de direita iniciaram um movimento de boicote contra a Havaianas. O motivo por trás do movimento é um novo comercial estrelado pela atriz Fernanda Torres, que não caiu nada bem entre o público mais conservador, sendo interpretado como uma “indireta” política.
Na propaganda, Fernanda Torres questiona a famosa superstição de começar o ano com o pé direito. Ela diz: “Desculpa, mas eu não quero que você comece 2026 com o pé direito”. A atriz argumenta que a sorte não depende da pessoa, e incentiva o público a entrar no próximo ano com “os dois pés na porta” e ir com tudo “da cabeça aos pés”. Para quem critica, a fala foi vista como um ataque subliminar à direita, especialmente pela menção ao ano de 2026, quando teremos novas eleições.
Afinal, quem manda na Havaianas?
Por conta dessa confusão, muita gente começou a se perguntar quem são os verdadeiros donos da marca. A Havaianas pertence à Alpargatas, uma gigante que já trocou de dono por diversas vezes no Brasil. Durante muito tempo, ela foi da Camargo Corrêa, mas foi vendida para o grupo J&F (dos irmãos Batista, donos da JBS) na época da Operação Lava Jato.
Pouco depois, a própria J&F teve problemas com a Justiça e passou o negócio adiante. Desde 2017, quem dá as cartas na Alpargatas é um grupo de peso: a Itaúsa (famílias Setubal e Villela, do banco Itaú) e a família Moreira Salles.
Fortuna da família Moreira Salles
Os Moreira Salles figuram como uma das famílias mais ricas do Brasils, com um patrimônio estimado em R$ 127 bilhões.
Além do controle da Alpargatas, o clã é dono da CBMM, companhia que detém quase 80% do mercado mundial de nióbio. Esse minério é extremamente valioso por aumentar a resistência do aço, sendo peça-chave na fabricação de componentes automotivos, turbinas de aviões e foguetes.
O grupo também aparece é um dos principais sócios do Itaú Unibanco. Por se tratar de um dos maiores bancos da América Latina, os lucros repassados aos acionistas garantem uma entrada de capital constante e de alto valor. No campo do agronegócio, eles possuem fazendas de grande porte no interior de São Paulo, focadas na produção industrial de café e laranja, além de manterem fatias em fábricas de embalagens de vidro e outros ramos da indústria.
Essa ampla diversificação permite que a família preserve uma estabilidade financeira incomum, ficando protegida de eventuais crises na economia brasileira. O tamanho dessa fortuna é reconhecido internacionalmente: o cineasta Walter Salles, por exemplo, é apontado com frequência como um dos diretores mais ricos do mundo, superando grandes nomes de Hollywood devido ao patrimônio familiar que ajuda a administrar e expandir.




