Há exatamente 70 anos, o Brasil dava o pontapé inicial para se tornar uma potência industrial automobilística. Em 16 de junho de 1956, o presidente Juscelino Kubitschek assinava o Decreto nº 39.412, criando o Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA) e estabelecendo as regras que transformariam o país de importador para fabricante de veículos.
A nova legislação exigia metas agressivas de nacionalização e oferecia incentivos fiscais e cambiais apenas aos projetos aprovados pelo governo. O objetivo era atrair investimentos e criar uma cadeia produtiva local robusta em tempo recorde.
A corrida pelo primeiro carro nacional
Em 30 de junho de 1956, apenas duas semanas após o decreto, a indústria automotiva brasileira respondeu. Neste dia, aía da linha de montagem da Indústrias Romi, em Santa Bárbara d’Oeste, em São Paulo, o primeiro Romi-Isetta.
O Romi-Isetta era um microcarro baseado em projeto italiano da Iso. Ele chegou ao mercado com 72% de peças nacionais e preço acessível, custando 370 mil cruzeiros, muito menos do que o fusca na época.
O lançamento oficial, no entanto, ocorreu no dia cinco de setembro, quando uma carreata de 16 unidades percorreu o centro de São Paulo, recebendo bênção do cardeal e sendo apresentada ao governador Jânio Quadros.
Entre 1956 e 1961, foram produzidas aproximadamente 3.150 unidades do pioneiro veículo, que fez sucesso entre artistas e chegou a ser usado pelo próprio presidente JK na inauguração de Brasília.
Meses depois, em 19 de novembro de 1956, a Vemag lançava a perua DKW Universal. Embora o Romi-Isetta tenha sido o primeiro a sair da linha, a DKW Universal destacou-se como o primeiro veículo a receber aprovação oficial do GEIA, atendendo integralmente aos requisitos de capacidade para quatro passageiros e comprometimento com as metas de nacionalização.
Legado consolidado
Até 1960, a indústria brasileira cumpriu as obrigações estabelecidas pelo decreto, alcançando os índices de nacionalização previstos. O setor saiu da era da simples montagem de kits importados para uma produção verdadeiramente nacional, com centenas de fábricas de autopeças instaladas em todo o país.
Além de criar a indústria automotiva brasileira, o decreto de 56 se consolidou na história por estabelecer as bases para o desenvolvimento econômico brasileiro nas décadas seguintes.




