Após as suspensões nas importações de diesel do Irã devido à guerra no Oriente Médio entre o país muçulmano, Israel e Estados Unidos, o Brasil passou a ser um dos principais importadores de diesel russo. Os dados são do sistema Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
De acordo com os dados de importações brasileiras, o Brasil já comprou US$ 1,76 bilhão em diesel entre os meses de março e abril. Desse valor, US$ 1,43 bilhão são da Rússia. Ou seja, os russos são responsáveis por mais de 80% do diesel que vem ao Brasil.
Por que o Brasil está comprando tanto da Rússia?
Segundo especialistas, o principal motivo seria a interrupção nas importações de combustível diesel em diversas regiões do Oriente Médio, os principais fornecedores de combustível no mundo. Essas suspensões são causadas devido à guerra dos EUA e de Israel contra o Irã e grupos terroristas como Hezbollah e Houthis.
Além disso, especialistas destacam a competitividade de preço no diesel russo, pois Moscou vende o combustível com descontos significativos (até 5,9% abaixo da cotação internacional) para contornar as sanções ocidentais impostas após a invasão da Ucrânia.
Antes da guerra e da suspensão de importações de diesel, o Brasil importava principalmente do Oriente Médio.
Compensação e cortes de impostos
Além das suspensões, a escassez causou uma alta no preço do diesel. Devido a isso, o Governo Federal implementou uma série de ações para combater o aumento e manter o valor do combustível acessível.
As ações incluem medidas como a isenção de impostos federais, zerando as alíquotas do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre a comercialização de diesel. Além disso, o governo instituiu um imposto de exportação de 12% sobre o petróleo bruto e de 50% sobre o diesel exportado para compensar perda de receita.
O planalto também propôs que os estados zerem o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre a importação de diesel até 31 de maio, com a União comprometendo-se a compensar 50% da perda de arrecadação.
A Agência Nacional do Petróleo (ANP) também intensificou a fiscalização, com possibilidade de interdição de postos e penas de prisão de 2 a 5 anos para quem praticar aumento abusivo de preços ou recusa de fornecimento.





