O Departamento de Segurança Interna (DHS) dos Estados Unidos anunciou, nesta semana, uma flexibilização nas restrições de viagem impostas à seleção do Irã para a Copa do Mundo. A medida autoriza a delegação iraniana a entrar em solo americano 48 horas antes de sua partida contra o Egito, marcada para este sábado (27).
A decisão encerra semanas de tensões logísticas e críticas que a gestão estadunidense estava recebendo pelo tratamento dado à seleção iraniana. Com a decisão, os iranianos estão permitidos a chegar à cidade-sede nesta quarta-feira (24).
Até então, os jogadores só podiam cruzar a fronteira a partir de sua base em Tijuana, no México, com apenas 24 horas de antecedência, um fator que o técnico Amir Ghalenoei classificou publicamente como um tratamento que tornava o Irã a “equipe mais oprimida” do torneio.
Nova diretriz de segurança
A alteração na política de imigração é específica para o terceiro e último jogo da fase de grupos. Segundo um porta-voz do DHS, a equipe iraniana terá permissão para permanecer nos Estados Unidos por dois dias completos antes do confronto, um aumento significativo em relação à janela de um dia aplicada nos jogos anteriores em Los Angeles.
No entanto, a flexibilização possui limites estritos. A seleção iraniana deverá deixar os Estados Unidos na noite do dia do jogo, imediatamente após o término da partida, mantendo a proibição de pernoite pós-jogo em território americano.
“As medidas gerais de segurança e protocolo permanecem as mesmas”, afirmou o porta-voz.
Justificativa dos EUA
A revisão das restrições ocorre em um momento diplomaticamente sensível entre os dois países, coincidindo com recentes avanços nas negociações de paz entre Washington e Teerã, incluindo a assinatura de um memorando de entendimento para um cessar-fogo na guerra entre eles no Oriente Médio.
Andrew Giuliani, diretor executivo da Força-Tarefa da Copa do Mundo da Casa Branca, indicou que a extensão do prazo foi planejada desde o início como uma medida condicional.
A estratégia das autoridades americanas consistiu em monitorar os dois primeiros deslocamentos da equipe; diante da ausência de incidentes de segurança, o tempo extra foi liberado para o jogo em Seattle, que exige um deslocamento aéreo mais longo (até três horas) a partir do México.
Reações
A mudança foi recebida com alívio pela comissão técnica, que argumentava que a restrição anterior prejudicava a recuperação física e os treinos dos atletas. Antes disso, Ghalenoei havia criticado veementemente a situação, apontando que a equipe perdia sessões de treino essenciais e chegava exausta aos jogos devido às viagens de última hora.
Apesar da vitória parcial, a federação iraniana e o capitão Alireza Jahanbakhsh mantêm a ressalva de que a obrigação de saída imediata após o apito final ainda coloca a equipe em desvantagem comparativa em relação às outras 47 seleções, que podem se recuperar em solo americano.
O Irã vai entrar em campo contra o Egito precisando de uma vitória para garantir, provavelmente, sua primeira classificação histórica para as oitavas de final da Copa do Mundo.




