A Alphabet, que controla o Google, anunciou um plano para captar até 80 bilhões de dólares por meio da venda de ações. O objetivo é financiar uma expansão em larga escala de sua infraestrutura de inteligência artificial, em um momento em que a demanda pelos serviços da empresa já supera a capacidade disponível.
Entre os investidores confirmados está a Berkshire Hathaway, do investidor americano Warren Buffett, que se comprometeu com um aporte de 10 bilhões de dólares. O restante será captado por meio de uma oferta pública e de uma operação chamada de “ATM”, venda gradual de ações no mercado prevista para o terceiro trimestre de 2026.
A captação vem em um momento de aceleração nos gastos da empresa. A Alphabet revisou sua projeção de investimentos de capital para 2026, elevando a faixa estimada para entre 180 bilhões e 190 bilhões de dólares somente neste ano. Para 2027, a expectativa é que os valores aumentem ainda mais.
Por que o investimento é tão alto?
Treinar modelos de IA, processar bilhões de consultas simultâneas e entregar respostas em tempo real exige uma infraestrutura muito mais robusta do que a utilizada na era tradicional da internet. Segundo a Alphabet, mais de 60% dos gastos em infraestrutura no primeiro trimestre de 2026 foram direcionados à compra de servidores, com o restante aplicado em centros de dados e equipamentos de rede.
O número de desenvolvedores que usam os modelos do Google já ultrapassa 8,5 milhões por mês, e o processamento via API própria cresceu seis vezes no último ano. O Google Cloud também registrou crescimento de 63% na receita no primeiro trimestre de 2026.
A corrida não é exclusiva do Google. Segundo estimativas do mercado, Microsoft, Amazon e Meta, somadas ao Google, devem investir juntas cerca de 700 bilhões de dólares em infraestrutura de IA ao longo de 2026.
Novidades para o usuário
Além dos investimentos em infraestrutura, o Google também anunciou mudanças diretas para quem usa a plataforma. Entre as novidades estão alterações na barra de pesquisa, uma integração mais profunda da IA com o sistema Android e o lançamento dos chamados “Googlebooks”, linha de notebooks voltados ao uso da inteligência artificial.



