Em meio a uma crise diplomática sem precedentes na história das Copas do Mundo, a seleção do Irã formalizou, nesta semana, uma cobrança à FIFA por “interferência política” e tratamento discriminatório imposto pelos Estados Unidos. A delegação iraniana, obrigada a sediar sua base no México e sujeita a regras de entrada e saída restritivas em solo americano, classificou sua situação como a de “equipe mais oprimida” do torneio.
Restrições de visto
A tensão atingiu seu ápice após a partida de estreia do Irã contra a Nova Zelândia, em Los Angeles. Sob ordens diretas das autoridades de imigração dos EUA, a equipe foi obrigada a deixar o território americano poucas horas após o apito final, retornando imediatamente para Tijuana, no México.
O técnico Amir Ghalenoei denunciou a situação em coletiva de imprensa: “Fomos informados de que deveríamos chegar um dia antes e pernoitar após o jogo. De repente, a ordem mudou: ‘Entrem no avião e saiam’. Não sabemos por que isso aconteceu. Acho que nossa equipe é talvez a mais oprimida nesta Copa do Mundo.”
Além do “caos logístico”, o Irã enfrenta a ausência de membros cruciais de sua comissão técnica. Cerca de 11 a 15 integrantes do staff, incluindo o presidente da federação, Mehdi Taj, e diretores executivos, tiveram seus vistos negados sob a justificativa de vínculos com a Guarda Revolucionária (IRGC).
Respostas dos EUA e da FIFA
Andrew Giuliani, diretor executivo da Força-Tarefa da Casa Branca para a FIFA, defendeu as medidas como “necessárias” para a segurança nacional: “Deixamos claro que este era o processo. Qualquer pessoa com laços diretos com a IRGC não entrará nos Estados Unidos da América. Não vamos permitir que a Copa do Mundo seja usada como motivo para que eles entrem.”
O Departamento de Estado dos EUA garantiu que todos os jogadores e o staff “necessário” receberam vistos, citando a resolução rápida do caso do atacante Mehdi Torabi, cujo visto de entrada única expirou após o primeiro jogo e foi substituído por um de múltiplas entradas.
Por outro lado, a FIFA mantém uma postura de cautela. O presidente Gianni Infantino, que visitou o vestiário iraniano, reiterou que a entidade não tem poder para ditar leis de imigração aos países-sede, embora membros do conselho da FIFA tenham classificado o tratamento dado ao Irã como “inaceitável” nos bastidores.




