As chances de formação de um novo El Niño em 2026 já ultrapassam 90%, segundo projeções da NOAA, agência norte-americana responsável pelo monitoramento do oceano e da atmosfera.
O fenômeno está em formação no Oceano Pacífico e preocupa meteorologistas, ainda mais, pelo que ele costuma fazer com o Sul do Brasil: chuva acima da média, enchentes e temporais severos:
“Para os próximos meses é esperado um aquecimento significativo das águas do Oceano Pacífico que deve dar origem ao fenômeno que conhecemos como El Niño”, afirma o meteorologista Márcio Bueno, da Tempo Ok.
O alerta chega num momento de memória recente e dolorosa. Em 2024, o governo gaúcho contabilizou 184 mortes nas enchentes e classificou a situação como “a maior catástrofe climática da história do Estado”.

Sul do Brasil no alerta máximo
Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná concentram os maiores riscos de enchentes, enxurradas e deslizamentos. A cidade de Porto Alegre segue como área de atenção máxima, com infraestrutura ainda em recuperação.
A expectativa é que todas as regiões do Paraná registrem volumes de chuva extremamente altos; os maiores impactos devem ocorrer na metade sul do Estado, área que tradicionalmente sofre mais influência do fenômeno.
O fenômeno impacta o Brasil de formas diferentes, enquanto favorece o excesso de chuvas na Região Sul, agrava a estiagem e o risco de perdas em culturas de sequeiro nas regiões Norte, Nordeste e partes do Centro-Oeste e Sudeste.
Preparação e alertas
A Defesa Civil do Paraná já iniciou ações preventivas junto aos municípios e entre as medidas estão a atualização dos planos de contingência, o mapeamento de áreas sujeitas a enchentes e deslizamentos.
Por outro lado, a pesquisadora Regina Rodrigues, da UFSC, lembra que um fenômeno é sempre diferente do outro:
“As piores enchentes que tivemos no Rio Grande do Sul foram no segundo ano, em maio de 2024, quando o fenômeno já estava fraco. Às vezes, não é só a intensidade. O sistema climático é complexo.”
Além disso, o ministro Flávio Dino intimou a União e os estados da região a informarem, no prazo de até 10 dias úteis, quais providências e planejamentos estão sendo adotados diante das projeções já divulgadas, a fim de preparar melhor a região.



