Um ex-piloto da Air Canada responde a sete acusações criminais no Canadá após a descoberta de que voou por quase 17 anos sem a licença obrigatória para comandar aeronaves comerciais.
A Polícia Regional de Peel, em Ontário, formalizou as acusações contra Geoffrey Wall, de 59 anos, em 1º de junho de 2026, como resultado de uma investigação batizada de “Project Icarus”.
Segundo as autoridades, Wall usou documentos falsificados para comprovar uma habilitação que não possuía: a Airline Transport Pilot Licence (ATPL), certificação exigida no Canadá para comandar grandes aviões comerciais.
Isso quer dizer que, apesar de ter uma licença de piloto comercial válida, ele não tinha o credencial necessário para ocupar a cadeira de comandante. Entre 2009, quando a Air Canada o promoveu ao cargo, e 2025, realizou mais de 900 voos domésticos e internacionais. No período, a companhia pagou a ele cerca de 2,9 milhões de dólares canadenses em salários, algo em torno de R$ 15 milhões.
A fraude veio à público em 2025 durante uma verificação rotineira de documentos, as inconsistências encontradas na licença de Wall levaram o Transport Canada, órgão federal de transporte do país, a abrir uma investigação.
A Polícia Regional de Peel entrou no caso em seguida, com mandado de busca e análise da documentação, que confirmou a falsificação.
A versão da Air Canada
A companhia afirma que a segurança dos passageiros nunca esteve comprometida. Isso porque Wall passava pelas mesmas avaliações obrigatórias de competência a cada seis meses que todos os demais pilotos.
A Air Canada também informou que comunicou voluntariamente o caso ao Transport Canada assim que descobriu os documentos falsos.
A tentativa de encobrir a fraude
A investigação apurou que Wall tentou ocultar as provas e registrou um boletim de ocorrência falso para isso. Por isso, a lista de acusações vai além da fraude principal: inclui também declarações enganosas, fornecimento de informações falsas às autoridades e obstrução de investigação. São sete crimes no total.
Wall tem 27 anos de carreira na Air Canada, dos quais passou 16 como comandante. A próxima audiência no tribunal está marcada para 29 de junho de 2026.




