Um novo estudo global divulgado esta semana pelo Boston Consulting Group (BCG) expõe que, enquanto agentes de inteligência artificial economizam horas na rotina dos trabalhadores, as organizações enfrentam dificuldades para transformar essa eficiência em resultados financeiros.
A pesquisa, que ouviu cerca de 12 mil trabalhadores em 14 países, indica que 74% dos funcionários de escritório já utilizam ferramentas de IA regularmente. Desses, 41% relatam economizar pelo menos um dia inteiro de trabalho por semana. No entanto, líderes empresariais admitem não saber como capturar o valor desse tempo recuperado.
Dilema do “Retorno sobre Investimento”
Dados complementares do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, sugerem que 95% dos projetos piloto de IA falham em gerar impacto mensurável na receita das empresas. Apenas uma minoria de 5% consegue escalar as iniciativas para obter retornos.
“Todo mundo fala em IA substituir o trabalho, mas na verdade se trata de repensar a contribuição humana dentro dele”, afirmou Vinciane Beauchene, do BCG e coautora do relatório.
Segundo o estudo, quase metade dos respondentes passa mais tempo gerenciando e direcionando a IA do que executando suas tarefas originais. Além disso, 41% dos usuários relatam um aumento na carga cognitiva, fenômeno que os autores classificam como o “paradoxo da alegria”: a tecnologia torna o trabalho simultaneamente mais satisfatório e mais exaustivo.
Quais são os dados no Brasil?
No Brasil, o otimismo com a tecnologia supera a média global em termos de expectativa estratégica. Uma pesquisa recente da Corporação Internacional de Dados (IDC), encomendada pela Microsoft e divulgada nesta semana, mostrou que 88% dos executivos brasileiros acreditam que a IA será o principal motor de competitividade até 2030.
Empresas nacionais reportam ganhos médios de 24,5% em iniciativas de IA, com destaque para eficiência de processos (27,7%) e satisfação do cliente (28,2%).
O futuro do trabalho, segundo o relatório
O relatório do BCG destaca o crescimento dos agentes de IA, já integrados em 30% dos fluxos de trabalho, número que dobrou em relação ao ano anterior. Mais de 60% dos trabalhadores acreditam que esses agentes poderão realizar metade de suas funções dentro de três anos.
No entanto, especialistas apontam que a discrepância entre a eficiência individual e o resultado corporativo põe em cheque os trilhões de dólares investidos globalmente no setor. Sem uma reestruturação organizacional que acompanhe a tecnologia, a economia de tempo arrisca permanecer apenas como um ganho isolado.



