Sergio Zimerman, fundador da Petz, rede comercial de itens para pets, afirma que a escala 5×2 com limite de horas pode “levar o país ao atraso”. A declaração foi dada durante o Seminário Lide, em Barueri (SP), em meio à tramitação no Congresso da PEC que prevê o fim da escala 6×1.
Para Zimerman, essa consolidação da jornada de trabalho deveria respeitar a vontade de cada trabalhador e empregador, sem um modelo único imposto pela Constituição:
“Está tudo bem querer trabalhar menos, mas tem quem queira trabalhar mais. Se a Constituição proíbe isso, as pessoas são levadas à informalidade”, disse o empresário.
A PEC aprovada pela Câmara em dois turnos reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e acaba com a escala 6×1, hoje usada em setores como comércio e serviços. O texto segue agora para análise do Senado.
Segundo dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), a mudança pode afetar cerca de 35 milhões de trabalhadores formais, o equivalente a 58,4% dos empregados com carteira assinada no Brasil.
O que Zimerman defende como alternativa
O empresário diz apoiar a proposta do senador Rogério Marinho (PL-RN) como alternativa à PEC que tramita na Câmara.
O texto permitiria ao trabalhador escolher entre seguir a CLT tradicional ou adotar um regime baseado em horas trabalhadas, negociado individualmente com o empregador.
Apesar da posição pública, a Petz, maior varejista do país no setor de animais de estimação, ainda não testou jornadas alternativas entre os próprios funcionários.
A empresa opera hoje na escala 6×1, a mesma que a PEC da Câmara pretende extinguir. Zimerman também preside o conselho da Petz Cobasi, resultado da fusão entre as duas redes.
O outro lado do debate
O presidente da Abras, associação que representa supermercados, afirmou que a escala 5×2 é bem recebida pela maioria dos trabalhadores e pode ser adotada pelo setor sem aumento de preços, desde que as 44 horas semanais sejam mantidas.
A entidade defende, porém, que a redução de jornada para 40 horas seja implementada de forma devagar. Já a PEC do fim da escala 6×1 segue para votação no Senado, sem data definida até o momento.




