A Penalty, marca de artigos esportivos controlada pelo grupo brasileiro Cambuci, confirmou o retorno de suas operações para a Argentina com início previsto para 2027. A decisão, anunciada nesta semana, marca o fim de um hiato de três anos no mercado vizinho e tem como principal motivador a redução dos custos operacionais possibilitada pela nova legislação trabalhista argentina.
Retomada
O plano de retomada será executado em duas etapas distintas. Inicialmente, em 2027, a empresa abastecerá o mercado argentino por meio da exportação de produtos fabricados em suas três unidades industriais no Brasil, sendo duas na Bahia e uma na Paraíba.
No entanto, se as vendas se consolidarem na Argentina, a empresa prevê que, em 2028, irá instalar uma nova fábrica no país vizinho. A nova unidade industrial terá como foco a produção de calçados e bolas, que representam os maiores volumes de receita da companhia.
No auge de sua operação anterior, encerrada em 2024 devido a incertezas econômicas, o mercado argentino chegou a representar 10% da receita total da empresa. A meta atual é recuperar esse patamar, elevando a participação para entre 10% e 12% do faturamento global da Cambuci.
Impacto da Reforma Trabalhista
Segundo Roberto Estefano, presidente do conselho da Cambuci e fundador da Penalty, a viabilidade do projeto deve-se diretamente às mudanças estruturais promovidas pelo governo do presidente Javier Milei. A reforma trabalhista aprovada no início de 2026 permite jornadas de trabalho de até 48 horas semanais.
Estefano destacou que a medida torna o custo de produção na Argentina inferior ao brasileiro. “Quem trabalha mais, ganha mais. O Brasil vai na direção contrária. Isso é um tiro no pé”, afirmou o empresário, criticando o debate sobre o fim da escala 6×1 no Brasil.
A empresa avalia que a produtividade e os custos rescisórios no cenário atual argentino oferecem uma vantagem competitiva que não existia durante a crise econômica que levou ao fechamento das operações anteriores.




