Em 2026, autoridades sanitárias e infectologistas no Brasil concentram atenção em cinco vírus principais: Ebola, Hantavírus, Influenza A, Poliomielite e Mpox. Embora alguns apresentem alta letalidade, o maior risco para a população depende de fatores como a transmissibilidade, a estrutura de saúde e a cobertura vacinal.
O problema de cada vírus
De acordo com especialistas, esses vírus chamam a atenção por características específicas que os tornam particularmente problemáticos. Seja alta letalidade, alta taxa de contágio ou até mesmo resistência a vacinas.
Ebola
Um surto ativo de Ebola, causado pela rara cepa Bundibugyo, está em curso na República Democrática do Congo e em Uganda, na África. Diferentemente da cepa Zaire, para a qual existem vacinas aprovadas (como o Ervebo) e anticorpos monoclonais, não há imunizante nem tratamento eficaz contra a variante Bundibugyo.
Para especialistas, os principais problemas desse vírus estão na falta de vacina e de tratamento, mas também na alta letalidade, em torno de 40%. No entanto, de acordo com o infectologista Renato Kfouri, o risco de transmissão global é considerado baixo. O vírus exige contato direto com sangue ou secreções de pessoas doentes e não é transmitido pelo ar.
No entanto, especialistas alertam para o cenário de um viajante infectado desembarcar no Brasil ainda no período de incubação (de dois a 21 dias), sem sintomas. Hospitais brasileiros não dispõem de estrutura adequada para conter casos confirmados, que exigem isolamento com pressão negativa, equipamentos herméticos e fluxos de entrada e de saída segregados.
Hantavírus
Assim como o Ebola, o hantavírus tem taxa de letalidade entre 30% e 50%, considerada uma das mais altas entre as doenças virais. No entanto, a capacidade de contágio dele também é baixa: ocorre por inalação de aerossóis formados a partir de fezes e urina de roedores silvestres, principalmente em ambientes fechados e rurais.
No Brasil, o vírus não se transmite de pessoa para pessoa. A única exceção é o vírus Andes, presente na Argentina e no Chile, associado a um surto recente no cruzeiro MV Hondius. Mesmo nesses casos, a transmissão exige contato próximo e prolongado.
De acordo com especialistas, o verdadeiro risco está em áreas como galpões, depósitos e casas de campo fechadas. A recomendação é: não varrer a seco, usar máscara PFF2, umedecer o ambiente antes da limpeza e evitar a dispersão de partículas.
Influenza A
Para especialistas, a Influenza A (H3N2) é a maior ameaça prática à população brasileira em 2026. A temporada de gripe começou antes do esperado, com aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e pressão crescente sobre os hospitais.
A cepa em circulação apresenta efetividade reduzida da vacina, pois as previsões de cepas para a produção do imunizante não corresponderam à cepa do vírus que se espalhou. Além disso, a cobertura vacinal está aquém do ideal, especialmente entre grupos vulneráveis.
Segundo médicos, a transmissão respiratória, a alta taxa de contágio e o impacto em crianças e idosos tornam a gripe um risco grave para o brasileiro. A vigilância também está voltada para o H5N1, que circula em aves e mamíferos no Brasil, com potencial de adaptação para transmissão entre humanos.
Poliomelite
A poliomielite está praticamente erradicada no Brasil, mas a queda na cobertura vacinal, impulsionada por movimentos antivacina, abre uma brecha para sua reintrodução. O país adota exclusivamente a vacina inativada injetável, mais segura do que a oral, que pode gerar variantes derivadas do vírus vacinal.
Apesar da baixa probabilidade de surto, bolsões de baixa cobertura vacinal em algumas regiões preocupam as autoridades. A recomendação é verificar a caderneta de vacinação das crianças e manter a imunização em dia, especialmente em áreas com histórico de baixa adesão à vacinação.
Mpox
O Mpox (antiga varíola dos macacos) circula no Brasil com baixa letalidade, mas com perfil de risco concentrado. A transmissão ocorre por contato próximo e prolongado, especialmente em relações íntimas, embora não seja classificada estritamente como doença sexualmente transmissível.
A grande preocupação em 2026 é a chegada de casos importados da linhagem Clade Ib, mais transmissível e associada a quadros mais graves, especialmente em crianças e em imunossuprimidos.
A vigilância em portos, aeroportos e fronteiras está reforçada, e o diagnóstico precoce, como a identificação de lesões cutâneas semelhantes a bolhas, é crucial para conter cadeias de transmissão, dizem especialistas.





