A Associação Feminina de Assistência Social de Criciúma (Afasc) iniciou nesta semana a distribuição de kits de alimentação para crianças afetadas pela paralisação das atividades dos servidores da educação infantil da rede municipal de Criciúma, em Santa Catarina, que entraram em greve.
A medida da Afasc tem como objetivo prestar apoio às famílias em situação de vulnerabilidade social que têm dificuldades para alimentar as crianças devido aos fechamentos das creches durante a greve.
Como a distribuição é feita?
De acordo com a Afasc, as equipes dos Centros de Educação Infantil (CEIs) disponibilizarão os kits de alimentação de duas formas. A primeira é nos próprios centros, onde as famílias e os responsáveis pela criança podem retirar. O outro é a entrega domiciliar em rotas definidas pela Afasc. Essa segunda modalidade se aplica ao caso dos responsáveis não poderem comparecer aos centros para retirar os kits.
O principal objetivo da iniciativa é garantir que crianças de famílias em situação de vulnerabilidade social e que dependem das refeições escolares para se alimentar não fiquem sem as refeições importantes do dia durante a greve.
A greve
Nesta semana, o Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino da Região Sul de Santa Catarina (Steersesc) iniciou uma greve oficial da categoria. Os grevistas reivindicam um reajuste salarial de 63% e também pedem a aplicação do piso nacional do magistério, atualmente fixado em R$ 5.130,64 para uma jornada de 40 horas semanais, aos profissionais da educação infantil.
Os profissionais afirmam receber, em média, R$ 3,1 mil, valor considerado abaixo do mínimo legal.
A adesão à greve é estimada em 90% dos trabalhadores, segundo o Steersesc, e a categoria segue sem conseguir firmar acordos com as autoridades. Recentemente, a categoria rejeitou uma proposta de reajuste de 6,36% apresentada pela Afasc, que elevaria os salários para cerca de R$ 3.332,91, ainda distante do piso nacional.
Impactos da greve
A paralisação interrompeu não apenas as atividades pedagógicas, mas também a distribuição da merenda escolar, essencial à segurança alimentar de muitas famílias que dependem do serviço diariamente.
De acordo com especialistas, muitas crianças matriculadas em creches públicas, especialmente de famílias de baixa renda, dependem das refeições oferecidas como parte essencial de sua nutrição diária. Nas creches municipais, são oferecidas, em média, quatro refeições por dia: café da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar. Para bebês com menos de seis meses, também é oferecida a colação.
Estudos indicam que, em contextos de pobreza, a creche atua como um espaço de proteção social, garantindo não apenas educação, mas também alimentação, higiene e estimulação. A especialista Priscila Cruz, do Todos Pela Educação, afirma que “as crianças que mais precisam dependem da creche para se alimentar, para ter acesso à fralda limpa, para ter acesso à estimulação”.





